A banda bonita

Enfim, como três acordes dizem mais que mil palavras, sempre postarei algumas canções para que os interessados tenham contato com a banda. Na realidade, nos próximos posts sugiro que cliquem primeiro na faixa, daí se não curtirem a banda não perdem tempo com meu blá blá blá. Até mais.

A primeira impressão realmente é muito importante. Eu poderia dizer que fiquei me indagando sobre qual banda falaria aqui no meu “debut” (ah sim, basicamente meus posts falarão de bandas que não fazem parte do mainstream), mas estaria mentindo. Desde que recebi o convite para jogar conversa fora por aqui já sabia quem estaria comigo nessa estreia. Conheci o Blonde Redhead no final da década de 90, quando contavam com quatro trabalhos apenas. Desde então, foram mais quatro álbuns que, além de se superarem e inovarem a cada faixa, foram construindo algo que não se vê com facilidade hoje em dia: consistência.

A maioria dos grupos tem uma excelente estreia que não é superada por nenhum de seus trabalhos seguintes.

Nos dias atuais é cada vez mais difícil ver bandas sobreviverem (com dignidade) após o terceiro disco. A maioria dos grupos tem uma excelente estreia que não é superada por nenhum de seus trabalhos seguintes. Longe desta realidade está o Blonde, cuja carreira encontra pouquíssimos paralelos. Banda norte-americana formada pelos irmãos italianos Simone (bateria) e Amedeo Pace (guitarra e voz), e pela bela japonesa Kazu Makino (guitarra e voz). Os vocais de Makino nos remetem a uma sensualidade pueril extremamente casual, que contrastam de forma perfeita com a voz etérea de Amedeo. O resultado é uma fórmula na qual boa parte do sentimento é expressado pelos vocais de Makino, que abusa dos agudos e gemidos de forma ímpar.

R-467581-1244968980O primeiro disco (homônimo) nos traz um noise rock de primeira, e apresenta músicos competentes e inovadores, com muitas guitarras distorcidas, cheio de nuances e muito experimentalismo. Ali já se via uma denúncia flagrante da influência de Sonic Youth, com os quais foram incessantemente comparados (apesar de serem bem mais melódicos). Porém, no finalzinho deste álbum, encontramos a pérola “Girl Boy”, belíssima bossa nova, que quando ouvi pela primeira vez foi como se a banda me dissesse: “Pode esperar muito mais de nós”. Em sequência, quatro primorosos álbuns, cheios de psicodelismo e baladas, na linha Noise/Shoegaze.

Misery_Is_A_Butterfly-Blonde_Redhead_480Eis que, em 2004, a banda apresenta sua obra-prima: “Misery Is A Butterfly”,seu sexto álbum, o qual considero um dos melhores discos da década passada. Todas as faixas poderiam ser usadas como música de trabalho, tamanha a qualidade deste disco. Seguindo uma linha de evolução gradativa e natural, os dois últimos trabalhos (“23” e “Penny Sparkle”) foram adquirindo cada vez mais características de Dream Pop, o que fez com que a banda se reinventasse, entretanto, sem apelos comerciais – como muitas outras bandas fizeram ao longo das duas últimas décadas.

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