Brasil, não cale a tua voz.

Ano passado houve um panelaço na Argentina. A população saiu na rua, batendo em panelas como forma de protestar contra a reeleição da Cristina Kirchner. Não foi a primeira vez que fizeram isso. A Síria vive em estado de emergência, desde a década de 1960, e em 2011 o país passou para uma guerra civil com constantes protestos exigindo liberdade de imprensa, direitos humanos e uma nova legislação. A Turquia, finalmente, vive atualmente em uma greve de trabalhadores que está gerando manifestações muito mais agressivas do que as que tivemos aqui no Brasil. Isso foram alguns dos protestos que circularam nos jornais no último ano.

Ao ler isso, nos dividimos em dois sentimentos: o primeiro é agradecer por vivermos em um pais “pacífico” e o segundo é dizer “Espera ai! Não está tudo bem, não.” Estão nos roubando em plena luz do dia e não mexemos um dedo para mudar isso. Aliás, mexemos um dedo, no mouse, compartilhando qualquer imagem que fala mal do governo e dos meios de comunicação, no Facebook. (Pesquisem sobre concessões de TV e rádio.) Curiosamente, uma das imagens compartilhadas dizia que brasileiro era acomodado e fazia a revolução do sofá, enquanto outros iam para a rua brigar por justiça.

Há duas semanas este cenário mudou. Mas antes é necessário entender o contexto em que vivemos.

Brasileiro, no geral, é oportunista e acomodado (mas isso não é muito diferente dos outros países) Olhe no seu bairro, seus vizinhos, quantos realmente se importam com o valor do seu voto para a cidade?

Pergunte para o porteiro do seu prédio ou o motorista do ônibus, o que eles acharam das manifestações?

Fora essas última manifestações, quando você já saiu da sua casa para protestar contra o Sarney, o Renan ou pela UBS do seu bairro que está sem médicos há dois meses? (Eu confesso que apoio a iniciativa, mas preciso trabalhar.)

A nossa geração não sabe protestar. Porque não fomos nós que lutamos pelas diretas. Nós crescemos com tudo nas mãos. Aprendemos desde cedo que somos livres, porque a Constituição diz isso. Mas ela também diz que ‘todo o poder emana do povo’. Nós já sabíamos disso, mas na fazíamos a menor ideia de que isso daria certo se colocado em prática.

bandeira_de0002 Nós, brasileiros, ficamos muito tempo acomodados enquanto o governo fez o que bem quis com os nossos impostos (ou o que os nossos pais pagam).

 

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O protesto começou pelos 20 centavos. Mais tarde, não era mais pelos 20 centavos. Era pelo quê?
Pesquisei o que algumas pessoas falavam e surgiram os seguintes temas: conscientizar a população do seu direito de interferir no governo e cobrar soluções, exigir que o dinheiro que você paga de impostos seja revertido em melhorias para a cidade e não em gastos superficiais para turistas,; alertar para causas importantes como: PEC 37, Estatuto do Nascituro, despreparo da polícia militar, desvio bilionário em obras da copa, remoções nada humanitárias de vilas e favelas próximas a estádios.

Um objetivo citado foi: fazer com que estrangeiros não venham para os jogos.
Sério? Agora que quadruplicaram o preço dos estádios, rodovias e o escambau, vocês querem que não venha mais ninguém pra cá? E o segundo prejuízo (porque o primeiro já tivemos) vai sair do bolso e quem?

Arr%mbaran o perfil da @Veja, postaram mensagens com erros de português, não linkaram para qualquer página onde houvesse uma explicação razoável para isso.
Hackear uma página é crime. Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão apenas na história. Aqui ele vai para a cadeia e vai ficar lá a menos que tenha um bom advogado. Invadir o perfil da revista vai contra a liberdade de expressão, neste caso foi completamente despreparado e anárquico. A Veja escreve para um público que concorda com ela, caso contrario deixariam de ler a mesma.

Vamos acabar com a manipulação da mídia.
Quantos canais de televisão pegam na sua casa? Um? Quatro? Sete? 170? Você é obrigado a assisti-los, ou pode desligar a TV e ler um livro? “Mas brasileiro não lê porque não é incentivado na escola.” Ok, então o foco dessa luta precisa ser a educação e os brasileiros adultos.

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http://www.youtube.com/watch?v=Wl9DdZNt2Pc

 

Todos nós, jovens, adultos, formadores de opinião, estudantes, trabalhadores queremos mudar o Brasil. Lutamos pelo mesmo fim, mas os meios estão incertos. Se você já jogou vídeo game, assistiu Game of Thrones ou leu a Arte da Guerra, sabe que mudanças precisam ser estruturadas e de forma alguma se ataca o topo do poder quando a base não está preparada para o impacto.

Infelizmente atos de vandalismo acontecem. E não é a policia que combate isso, somo nos. Nós que obrigamos um pessoal a descer da janela de um prédio público na passeata do dia 17 no Rio, nós que gritamos “sem violência”, nós que vaiamos quem levava bandeira de partidos políticos. Quem estava na Cinelândia viu, gritou, cantou e até dançou em um protesto pacifico. Que quem sabe não tenha nenhum efeito no governo, mas pelo menos plantou uma sementinha de inquietação na cabeça de todo mundo.

Somos isso e seremos mais. Agora são os adolescentes dos outros países que dirão “bem que a gente poderia protestar como os Brasileiros”. Não deixem isso morrer dentro de vocês.  O Brasil já mostrou a cara, agora vamos mostrar a voz.

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