Exposição ComCiência | Não é complexo de vira-lata, eu só quero me comportar

Na última segunda, 27, foi finalizada mais uma sessão da Exposição ComCiência, da artista australiana Patricia Piccinini. A exposição vinha acontecendo desde o ano passado no CCBB/RJ (Centro Cultural Banco do Brasil).

Patricia, com sua arte, busca falar de mutações genéticas no território da arte. Ela trata de utilizar o realismo como linguagem, num universo novo, com criaturas esquisitas, mas “fofinhas”, até…

Ao entrar no recinto presenciei algo que me chamou muito atenção. Mais até que as próprias obras que, num primeiro momento aparentam um terror, mas que, como dito acima, com olhares e expressões afagam o espectador com seus semblantes fofos. O comportamento dos presentes no local. As pessoas, definitivamente, não têm ideia do que se passa ao seu redor. Mais que buscar entender o sentido do que era tentado passar, a preocupação dos presentes era, basicamente, tirar selfie, tentar segurar as crianças que corriam de um lado pra outro (e até com berreiros, chorando) e sem largar, por um minuto, o telefone. Com a cabeça baixa olhando pra tela, e tudo.

Chamei o Vinícius e mostrei pra ele o que estava vendo. Ele, também, achou desconfortável o comportamento das pessoas. Perguntei-o como os humanos agiam em museus, teatros e afins lá na gringa. Ele confirmou minhas suspeitas: definitivamente não é assim.

comportamento-exposicao_trevous

Parece o tal do complexo de vira-lata atacando, mas não. É apenas entender que prioridades devem ser tratadas como prioridades. E lá, num lugar onde se está expondo um trabalho de uma artista, não se deve focar em selfies e afins. A meu ver, obviamente. Posso estar enganado, mas o intuito de Patricia ali era transmitir uma mensagem.

comportamento_exposicao_trevous_2

O que talvez fosse só uma indignação passageira, carecia de uma comprovação. Fui até uma das vigias do local e a ‘entrevistei’ (entre aspinhas… só fiz umas perguntinhas à ela). O áudio está abaixo, pra quem quiser ouvir…

O que elas querem é mostrar no Face, no Instagram. O interesse delas é mostrar que esteve aqui. E essa é a intenção do CCBB, quanto mais gente aparecer, melhor. Quanto mais pessoas aparecerem, pela primeira vez, melhor ainda. O CCBB busca um público que nunca esteve aqui justamente pra que ele possa voltar. Os frequentadores do CCBB estão sempre aqui. Ou todo mês, toda semana, quando sai do trabalho, passa aqui. Mas aquele que nunca veio ou veio pela primeira vez, é muito difícil dele voltar. A gente não se incomoda com lotação, criança correndo, nada disso…” – funcionária do CCBB.

É, talvez eu seja só um rabugento mesmo…

Compartilhe sua opinião