A guerra civil de verdade… precisamos falar de política

Uma boa trama política é legal, vai… Os fãs dos quadrinhos estão em polvorosa pela releitura de um dos melhores momentos da Marvel nas HQs e até quem nunca chegou a ler se anima em saber que haverá uma “briga” grande de heróis. Isso é algo que chama muito atenção.

Li Guerra Civil há uns anos, me lembro que tava terminando o colégio, foi em 2008. Não era um aficionado por história em quadrinho, lia alguns arcos por ler e por excesso de tempo, também. Mas era uma fase onde muita coisa estava mudando na minha cabeça. A questão política era uma delas. Era meio que a “hora de entender”.

Não, não por gostar ou querer me manter inteirado sobre o que acontecia no Brasil ou fora dele. Meu problema (sim, problema) era estudar pro ENEM e eu tinha que saber como andava o país e o mundo politicamente.

Então li a Guerra Civil querendo entender. Ela já havia sido lançada há alguns tempos e meus amigos que tinham lido disseram que era uma trama política interessante.

Política? Como assim? Eu quero ver heróis se dando porrada…

Quando li, entendi o que eles quiseram dizer.

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Lá na História em Quadrinho, o heroísmo tinha virado moda entre as pessoas, entre quem tinha superpoder e até quem não tinha. Era glamour. Um grupo se juntou e resolveu ‘lutar contra o crime’, o glamour bateu às portas deles e eles foram convidados a gravar um reality show pra mostrar a vida dos heróis (ou algo similar a isso, não lembro bem). Pra levantar a audiência, invadiram a casa onde estava um grupo de vilões e na briga explodiram um quarteirão onde tinha uma escola e uma cacetada de crianças foram mortas. Daí deu-se a briga pra se registrar os heróis e que eles pudessem pagar pelo que fizessem.

O Capitão América foi contra esse registro, pensando em proteger seus amigos heróis que poderiam ser perseguidos de alguma forma. Ele queria que houvesse, sim, justiça. Mas que o governo não influenciasse em nada nesse assunto. Aquele papo de “menos Estado”.

Tony Stark (tomado por uma culpa sabe-se lá vinda de onde) achou por bem aderir aos apelos do governo. A favor do registro.

Uma trama irada que misturava emoção (chegou a rolar uma separação de um casal que existia antes de muitos de nós pensarmos em nascer), brigas (até porque era uma guerra) e a questão política. O resultado não podia ser outro, passei no ENEM. Ah, e me interessei mais por política, também.

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Mês que vem o filme “Capitão América – Guerra Civil” estreia no mundo inteiro e eu, como apreciador (sem lados, é bom que se diga) de política estou animado pra caramba pra ver como eles vão reler essa história. A cada trailer surge uma nova pessoa aqui e ali falando que é “Time Homem de Ferro” ou “Time Capitão América”. Parei o que tava fazendo um dia, num dia desses trailers, e perguntei pra uma menina amiga de facebook o motivo dela ser “Time Homem de Ferro”. Ela me disse que é porque não suportava a cara de lerdo do Capitão América, que ele é sem graça e só recruta gente que dá sono nela. Preferia escolher o lado do Tony Stark, porque ele é amigo de todos, fala bem, tem manejo social e até mesmo por ter sido um Sherlock incrível.

Bom…

Esqueci o filme por um momento, por mais hypado que estivesse, e pensei no cenário político brasileiro atual. Isso, infelizmente, foi um reflexo do que tá acontecendo. A escolha de lado tá sendo por questões que nada tem a ver com política.

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Me lembro que na época dos debates presidenciais, nas últimas eleições, o candidato da oposição mostrava uma eloquência quase que messiânica (é, aquelas mesmo de arrastar multidão) e arrematava muitos nas redes sociais. Algo quase hipnótico. Enquanto a representante do governo mal conseguia realizar uma frase conexa. Mas ainda assim isso não garantiu o resultado pro primeiro. Não que tivesse que ser daquele jeito, meu papel aqui não é de influenciador ou partidário. Só quero elucubrar sobre essa situação que chega a ser desesperadora, de certa forma.

A política não é futebol, que de certa forma pra nós brasileiros (a maioria) é quase como uma religião. A política não é religião, que de certa forma aqui no Brasil é tão movimentada financeiramente como o futebol. A política deve ser algo vivido e vívido dentro da gente. Até porque pra depositar a confiança em algo que devia ser enorme – a decisão sobre um bem de comunidade, no caso -, essa confiança deve ser gerada com tempo e dedicação da parte dos que se propõem a governar.

Parece chato e até mesmo um “papo de velho”, mas não é. Ultimamente, inclusive, anda até bem divertido. Entre saudações à legumes, o que gera boas risadas, até mesmo colocação de investigados em chefias do Poder Executivo da nação, o que gera risadas de nervoso, medo e preocupação, mas ainda assim risadas.

Vale a pena e faz crescer. Não nos faz crescer de forma muscular, como os heróis dos quadrinhos, nem vai nos fazer superpoderoso, levando-nos a voar ou explodir coisas com os olhos. Mas melhora, e muito, a sociedade, de uma forma geral. Quem sabe até a gente para de fantasiar esse tipo de coisa e passamos a entender que não precisamos disso, só de nós mesmos.

1 Comentário

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Pedroresponder
24 de maio de 2018 em 12:28 PM

Na primeira foto quem é o homem formiga?

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