13 Reasons Why“, da Netflix, gerou uma barulheira enorme na internet nesses últimos dias. O Trevous não é bem uma plataforma específica de cinema, séries e cultura pop mas meio que me vi na obrigação de explanar meu sentimento pra alguém. Talvez seja você, que tá aí do outro lado lendo isso.

Acabei de terminar a série e, confesso, que me sinto meio mal. A identificação sempre acontece, todos já passamos ou vamos passar pela adolescência. Uns de uma forma boa, mas uma boa parte de uma forma ruim ou péssima. Me lembrei de muitos bullys a qual vivi na escola e na rua onde cresci. Alguns deles me ensinaram coisas e outros me deixaram machucado, mas nada que comprometesse minha atual vida adulta. Quer dizer… nada que comprometesse muito a minha atual vida adulta.

Bom, pra quem não assistiu, deixa eu falar um pouco sobre o que é a história… sem spoilers, obviamente:

“Hannah Baker, uma adolescente de 17 anos, se suicidou e deixou fitas cassetes explicando os motivos de ter chegado a esse ponto. Cada uma das treze pessoas (13 motivos/reasons) que vira personagem das fitas, recebem-nas a fim de escutá-las. A história é contada pelos olhos de Clay, o décimo-primeiro a recebê-las, onde tudo é desenrolado.”

Pois é… 17 anos. Eu me lembro vagamente dos meus 17 anos. Não tinha nada de tão específico. Era apaixonadinho, bobo e com um total de zero experiência de “vida”. Boa parte dessa minha história, não lembro. Talvez tenha preferido esquecer, não sei. Mas que sofri com socos e bonés roubados, sofri. Bom… mais uma vez… nada que comprometesse muito a minha atual vida.

Mas essa idade é complicada. Eu via pessoas por lá que sofriam muito mais que eu. O ambiente escolar é cruel demais. Ainda mais quando estamos em um país onde a educação e os bons modos são tão destratados quanto todo o resto. Não há muito incentivo pros estudantes de colégios públicos a tentarem uma vida razoável num futuro próximo, não há um trabalho mais específico pra isso. Bom, mas isso é assunto pra outra publicação. O fato é: a escola é mesmo pra zuar!!!

E se você não zoa, fatalmente vai ser o zuado. Você pode ser o que for, ter a posição que for, se não pegar tão pesado quanto, vai acabar mal tanto externamente (por socos, chutes e afins) quanto internamente (com feridas psicológicas, por exemplo). É, sim, uma selva.

Mas em que ponto essa série pode ajudar? Se é que ajuda…

O crítico de cinema Pablo Villaça sugeriu a seus leitores que não assistissem a série por “disparar gatilhos” em depressivos crônicos. Não tiro sua razão, infelizmente. E, por mais que seja uma série a qual tenha avisos em basicamente todos os episódios e críticas de que é algo pesado pra se ver, ainda é difícil ter esse “controle”. Nossa era é digital demais pra se ter controle. Em um clique podemos estar onde queremos estar e é difícil (ainda mais aqui, onde ninguém se importa) que alguém nos controle.

A internet é quase que um “caminho sem volta”. Em todo lugar dá pra ler um “queria estar morta”. Sério… se você fizer uma busca rápida no Google, vai ver até que o autor desse texto que você tá lendo já escreveu isso por aí há algum tempo. Eu não faço MESMO questão de apagar, mesmo tendo essa possibilidade, porque é importante que olhemos pra trás e consigamos ver que podemos mudar.

Eu acredito que essa série consegue, sim, conscientizar que a depressão e o suicídio estão mais “fáceis” no mundo de hoje. Se éramos fracos no passado, éramos fracos com menos possibilidades. Hoje temos tudo nas mãos e, infelizmente, um pouco mais de coragem.

O que não pode faltar é a mesma coragem: pra combater isso.

Sem querer ser o He-Man no final do episódio com aquela liçãozona de moral mas é importante estarmos ligados no que diz respeito a isso. Esse tipo de coisa pode vir de onde menos se espera. Infelizmente.

Não ignore os “tá tudo bem”. Não deixa pra lá os “tô levando”. Os “só eu posso resolver isso”, então, nem se fala!!! Acolhe. Abraça. Não ignora alegando fraqueza, drama ou qualquer um desses tipos.

Não deve ser nada legal ter de ser um motivo da tristeza e mágoa de alguém. Vamos melhorar, isso faz bem.