Os isentões só querem a paz da vó Zilda


O problema não são os isentões, é você.

Ser em cima do muro. Querer ficar fora de pataquada. Preferir não se misturar. Ou seja, querer participar do bonde dos isentões é bom, SIM!

A escola sempre é um ambiente incrível pra experiências e a maior parte das tomadas de decisões na nossa vivência atual, baseamos em coisas que vimos e ouvimos por lá. Mesmo inconscientemente.

Um “lance”, por assim dizer, que sempre ocorreu em todas as escolas (e vai ocorrer, até porque adolescente é pior de lidar do que chiclete no sapato) foram as famosas brigas de colégio.

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“Me encontra lá fora, 5 minutinhos” eram as palavras pra que ocorresse a invocação do Bruce Buffer pros dois valentões. Podia-se não saber (às vezes nem queria-se, na verdade) o motivo do fight, só era interessante a digladiação. O lanche derrubado, a menina que era de um e ficou com o outro, uma dividida mais áspera no futebol do intervalo… tudo era motivo pra briga acontecer.

Mas, ocasionalmente, acontecia de um ou outro não topar o rebú. Dar razão ao outro, aceitar ser achincalhado e até se passar de corno dando risada (meu caso, inclusive) eram coisas que se via e não satisfazia as pessoas que pagavam pra ver a porradaria. Sim, pagavam… com os “OEEEEEEE” ou os “EU NÃO DEIXAVA”. Pra exemplificar melhor, existia a turma do “deixa quieto”, os ditos “babacões” que não eram bem vistos por não demonstrarem seu “poder” pela força.

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Ou seja, sempre foi (e vai ser) quisto que se defina uma posição, por mais esdrúxulo que seja o assunto. Mas será que isso é realmente necessário em casos que não vão levar a lugar algum?

Recentemente um novo termo pra galera de cima do muro politicamente foi criado, estão chamando-os de “isentões”.

Os isentões não são da galerinha vermelhinha que brada que ~se preciso for~ vão pegar armas pra defender o governo de um possível golpe, que é tirar, a todo custo, o atual comando e a presidente do país.

Os isentões também não são da galerinha azulzinha que perdeu as eleições e está, a todo custo, querendo tirar o atual governo do poder.

Os isentões são, basicamente, a galera que quer, sim, a melhora do país e entende que isso não vai se dar por berros nas ruas regados a mortadela e nem a batucadas de panelas horríveis nas noites dos dias de semana, quando quem tá no poder faz um pronunciamento.

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As veredas de opiniões são das mais diversas e essa ilusão do “se você não é meu amigo, meu inimigo, é” não passa de pura e simples ilusão. Obviamente se faz necessário pontuar as coisas que devem ser erradas, mas como tomar um partido, um lado, quando os lados são todos sujos e não pretendem se limpar. É importante, sim, julgar e condenar rombos causados por quem tá no poder, se realmente existir. Assim como é importante julgar e condenar associações políticas com pessoas que mantém um helicóptero inundado de cocaína, entende?

Não tô pedindo, aqui, para que se fique “de boa” e “que se foda a roubalheira do vermelhinho ou do azulzinho (ou de todas as outras pequenas cores)”. Minha única revolta (por assim dizer) é extremar esse ódio a um nível tão absurdo que se impeça a família de comer uma feijoada na casa da Vó Zilda porque o Arnaldo é azulzinho e o Geraldo é vermelhinho e se eles se encontrarem em qualquer que seja a circunstância o pau come sobremaneira. Não, não é preciso isso. Não mesmo. Guardem as opiniões políticas num potinho, analisem seus candidatos de uma forma correta, busquem, sim, que os criminosos sejam punidos e não estressem a tadinha da Vó Zilda. Ela só quer comer a feijoada em paz.

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