Os verdadeiros poderes



Mil maneiras de se preparar Neston. Mil formas de se aprender algo. Isso elevado ao infinito pela internet. Porém um dos saberes mais interessantes que já recebi me foi passado da forma mais antiga utilizada: o papo informal, rico, temperado com personalidade.

Tomei a conversa de fim de noite, na prosa do mineiro do interior que fez do mundo seu quintal, com mais de cem países visitados em função da profissão. Era aquele engenheiro clássico, moldado na própria lida diária. Depois de uma aula que me ajudou a atenuar o medo (racional) de voar, explicando toda a “fisiologia” de uma asa de avião, ele me pergunta:

– Você sabe quais são os poderes? Os três poderes?

– Claro, Executivo, legislativo e judiciário!

– Não esses. Refiro-me aos poderes humanos, do ser.

– Não conheço não, quais são?

(a partir daqui, faço uma miscigenação da fala dele com minha percepção sobre o que aprendi. É mais ou menos a mesma coisa).

– Existem 3 poderes humanos: o da força, o da matéria e o da posição. Cada um com suas características que se conectam. Vamos lá:

O da força é o da brutalidade, da força física, o poder de destruir de sobrepujar o outro. É um poder visceral, reptiliano, que nos cega, mas também nos move, nos impulsiona à vida, Nos faz melhorar o mundo, nos dá prazer.

O poder da matéria hoje se tornou representado pelo dinheiro, ele tem poder, é vil, considerado por muitos como desonesto, desproporcional, desigual. Mas recheia todo o prazer que a força pode produzir e inegavelmente traz felicidade.

O poder que produz e harmoniza todas as relações é o poder da posição. É através dele que se educa. Mas, ao contrário do que se possa pensar, não produz nenhum atrito (ou praticamente nenhum) quando aplicado sem o uso da força, usando apenas a comunicação como forma de contato. Os pais produzem essa primeira relação ao apoiar suas crianças em seguir na direção que elas apontem,  dando suporte para que elas caminhem sem julgá-las ou impondo valores pessoais, deixando-as livres. Assim, outras relações de poder se estabelecem inclusive em suas brincadeiras (a tal da ludicidade) e com o resto do mundo.

“Como todas nossas posições são dinâmicas, a relação do poder da posição, se vivida com o necessário respeito à individualidade, cria uma sociedade melhor, em qualquer lugar do mundo.”

É necessário dizer que a partir desses poderes, vários outros se sucedem, criando sub-sistemas relacionais em todas as esferas de convívio. Podem (e deveriam) continuar harmônicos, se essa liberdade fosse respeitada.

A partir dessa conversa, em 2005, ratificou-se a forma de criar minha filha (já com 3 anos), oferecendo a ela o máximo de informação possível sobre tudo e respeitando toda a construção de realidade que ela defina. Sem impor a ela nenhum sistema de crença sobre absolutamente nada. Sempre convidando a ela pensar por si só. Respondendo de forma descritiva (e por que não cartográfica) todas as (muitas) perguntas dela. Quase oito anos se passaram, o resultado está altamente satisfatório.

Reafirmo que a solução para todas as mazelas que vivemos nesse mundo, vasto mundo, está na educação plena, livre de dogmas (todos!) respeitando a individualidade.

Compartilhe sua opinião