Uma seleção de videos para fazer a sua cabeça, ou fazer você dançar. O novo do Major Lazer (que só tem videos bizarros e bem produzidos, assim como sua música) é especialmente colorido. Dirigido por Ryan Staake of Pomp & Clout (http://www.twitter.com/pompandclout) que já fizeram outros pra o mesmo grupo.
Feliz Ano Novo!
O da M.I.A., como sempre, é ultra pop e enigmático ao mesmo tempo. E o vídeo do Antword, o controverso grupo Sul Africano, é tão cru que às vezes assusta. Não sei como é para vocês, mas eu que não tenho televisão, toda vez que me deparo com uma, me admiro com a estética do videoclip hoje em dia. Sempre apelativos, trazem os temas mais polêmicos para a passarela da moda, fazendo tudo parecer atraente e consumível. Não entendo, mas aceito, como a modernidade líquida.
http://www.youtube.com/watch?v=cCkIYkaLBGs
E o Making Of:
E uma recente entrevista da Björk para a revista Wired:
http://www.youtube.com/watch?v=rzFxQjpIE4Y
(Alguém sabe que software foi este usado para a animação 3D do começo?)
O Trevous deseja a todos e todas um Bom Natal e um excelente Ano Novo.
O tempo
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
No começo desse ano publiquei aqui no Trevous um artigo falando sobre os nomes da música brasileira que já completaram um século de nascimento. Foi assim que fechei aquele texto:
“Nesse ano de 2013 há pelo menos dois centenários: o de Wilson Batista (1913-1968), grande nome do Samba, contemporâneo de Noel Rosa, e o de Vinícius de Moraes (1913-1980), o “poetinha”, principal letrista da Bossa Nova, parceiro de Tom Jobim em “Chega de saudade”, “Garota de Ipanema” e outras. Será que a mídia e o povo vão explorar (no melhor sentido da palavra) esses nomes com o devido respeito e profundidade? Ou estaremos mais preocupados em saber quais estrelas estrangeiras estarão no Rock in Rio?”
Passados alguns meses, sabemos que a palhinha do passo do “quadradinho” dada por Beyoncé em seu show recebeu muito mais atenção do que qualquer homenagem à memória de nossos grandes artistas (quem quiser levantar a plaquinha “eu já sabia”, eis a deixa!).
Prioridades à parte, e ainda que discretamente, o centenário de Vinícius tem sido celebrado: alguns shows, reportagens e o enredo da União da Ilha no carnaval carioca. Entretanto, sobre o outro centenário de 2013, o de Wilson Batista, nada vi nem ouvi… Então, com o pretensioso (mas sincero) objetivo de celebrar e jogar luz sobre esse importante nome de nossa música, aqui vai este artigo.
Eu fui fazer um samba em homenagem à nata da malandragem que conheço de outros carnavais / Eu fui à Lapa mas perdi a viagem, que aquela tal malandragem não existe mais
Não sei qual foi a inspiração, mas quando penso na “tal malandragem” cantada por Chico Buarque na sua Homenagem ao Malandro (uma crítica bem-humorada aos criminosos de colarinho branco), penso logo num sujeito tipo Wilson Batista. Wilson Batista de Oliveira nasceu em Campos, estado do Rio, em 1913; em 1929, com apenas 16 anos, mudou-se sozinho para a capital fluminense para tentar a vida como compositor. Na cidade do Rio viveu até sua morte em 1968, poucos dias após completar 55 anos.
Wilson viveu intensamente a boemia de seu tempo e os personagens da noite carioca, da Lapa e da praça Tiradentes: as prostitutas, os gigolôs, os malandros que viviam de pequenos golpes e furtos, os policiais que vez por outra jogavam essa galera no xadrez, todos são cantados em sua obra, ainda relativamente desconhecida fora do universo do samba. Na belíssima “Chico Brito” (parceria com Afonso Teixeira) ele chega a citar o delegado Peçanha, famoso na época: Lá vem o Chico Brito / Descendo o morro / Na mão do Peçanha / É mais um processo / É mais uma façanha / O Chico Brito fez do baralho / Seu melhor esporte / É valente no morro / E dizem que fuma uma erva do norte. Vale ressaltar a menção feita à maconha, assunto quase proibido na música brasileira ainda hoje – imagina na época! (E fazendo uma dedução ousada podemos pensar, inclusive, que o eufemismo “erva do norte” foi apenas a solução menos polêmica encontrada pelo sambista, uma vez que a palavra “maconha” também rimaria com os versos anteriores que terminam em “Peçanha” e “façanha”).
Wilson era um malandro assumido, e era da malandragem barra pesada, andava em “más companhias” e chegou a ser preso várias vezes. Em “Lenço no pescoço” faz uma apologia ao seu estilo de vida: Meu chapéu de lado / Tamanco arrastando / Lenço no pescoço / Navalha no bolso / Eu passo gingando / Provoco e desafio / Eu tenho orgulho / Em ser tão vadio. Aliás, foi com essa música que se iniciou um rivalidade muito bem-humorada entre Wilson e seu contemporâneo mais ilustre: Noel Rosa. Noel, que era boêmio da classe média branca carioca (por assim dizer, um malandro mais light) não gostou da imagem de sambista passada na letra de “Lenço no pescoço” e resolveu responder com o samba “Rapaz folgado” (Deixa de arrastar o teu tamanco / Pois tamanco nunca foi sandália / E tira do pescoço o lenço branco / Compra sapato e gravata / Joga fora esta navalha que te atrapalha). Wilson, menos famoso que Noel, aproveitou a brecha para se promover como compositor, e deu continuidade à briga compondo “Mocinho da Vila”, revidada por Noel com “Feitiço da Vila”. O último round teve Wilson com “Conversa fiada” e Noel com “Palpite infeliz”. A chamada “polêmica” entre Wilson e Noel foi um episódio que trouxe grandes sambas para nossa música, e acabou criando uma amizade entre os dois compositores.
No entanto, a exaltação à malandragem na música popular não era bem recebida pelo departamento de imprensa e propaganda da ditadura Vargas, chegando a ser proibida por uma portaria do governo em 1940. A partir daí, para conseguir ser aprovado pela censura, há uma grande mudança na temática das letras de Wilson; se antes ele tinha “orgulho em ser tão vadio”, em “O bonde São Januário” (pareceria com Ataulfo Alves) ele faz uma exaltação ao trabalhador, ao homem “de bem”: Quem trabalha é que tem razão / Eu digo e não tenho medo de errar / O bonde São Januário leva mais um operário / Sou eu que vou trabalhar. Também na sua obra encontram-se crônicas do dia-a-dia da favela e da população das periferias, algumas bem dramáticas como “Mãe solteira” (parceria com Jorge de Castro, onde narra o suicídio de uma porta-bandeira que sentia vergonha de ser mãe solteira), e outras carregadas de crítica social como a marchinha “Pedreiro Waldemar” (parceria com Roberto Martins): Você conhece o pedreiro Waldemar? / Não conhece mas eu vou lhe apresentar / De madrugada toma o trem da Circular / Faz tanta casa e não tem casa pra morar.
A despeito de ter criado versos de grande inteligência e refinamento, Wilson Batista era semi-analfabeto e tinha dificuldade para escrever. Não tocava nenhum instrumento musical, só batucava numa caixa de fósforos para marcar o ritmo enquanto compunha. Chegou a fazer uma curta carreira como cantor na década de 30, formando com Erasmo Silva a dupla chamada “Verde e amarelo”, que gravou discos e fez turnês; mas a dupla se desfez pois seu objetivo era firmar-se como compositor. Apesar da fama e de ter sido gravado por grandes cantores e cantoras de sua época os apertos financeiros eram constantes, e para sair do vermelho Wilson muitas vezes vendia suas músicas para serem registrados como de outros autores (prática muito comum na época e, dizem as más línguas, ainda existente nos dias de hoje entre grandes sambistas). Morreu pobre, doente do coração em idade relativamente jovem. Deixou para nossa música sambas de alto teor social, crônicas, deboches, críticas aos contrastes do Rio de Janeiro e do Brasil.
Fecho esta homenagem com a interpretação de João Gilberto para “Louco”, composição de Wilson com parceria de Henrique de Almeida. E para os curiosos que desejam conhecer mais a obra deste ilustre sambista, eis uma lista com suas principais músicas (todas as citadas neste artigo e outras): acertei no milhar (Wilson Batista e Geraldo Pereira), Chico Brito (Wilson Batista e Affonso Teixeira), lenço no pescoço (Wilson Batista), louco (Wilson Batista e Henrique de Almeida), mãe solteira (Wilson Batista e Jorge de Castro), meu mundo é hoje (Wilson Batista e José Batista), mundo de zinco (Wilson Batista e Antônio Nássara), o bonde de São Januário (Wilson Batista e Ataulfo Alves), oh! seu Oscar (Wilson Batista e Ataulfo Alves), pedreiro Waldemar (Wilson Batista e Roberto Martins) e preconceito (Wilson Batista e Marino Pinto).
O fotógrafo Haruhiko Kawaguchi seleciona casais nas noites de Tóquio, para serem embalados a vácuo, no projeto Flesh Love. Ele já clicou 80 casais, em diversas posições e figurinos. Segundo Kawaguchi, os homens foram de longe os mais medrosos, enquanto as mulheres se preocupam em sair bem 😉
Vale lembrar que essa parceria com o aspirador de pó já foi vastamente vista no mundo da arte contemporânea, como no trabalho do belga Lawrence Malstaf, por exemplo. Veja como é feito no vídeo abaixo.
Sempre que Ana ligava o som, Beatriz pisava apressadamente para chegar e ouvir de pertinho. Viciada em música, ela era puro charme ouvindo de Janis Joplin aos Novos Baianos. Esfregava suas unhas afiadas na tela da caixa de som, como se tocasse uma guitarra e lambia os botões como se tirasse as notas de uma gaita. Quando no som o “papo” era salsa, Bibica Bicuda embolava de um lado para o outro no tapete vermelho e miava muito alto quando o tema era Bob Marley.
Entre um baseado e outro, Ana mudava o estilo musical e a cada trago dado por tabela, Beatriz se conhecia mais. A relação das duas era de parceria. Ana tinha sua gata como melhor amiga. Amiga para todas as horas sabe? Aquelas que dividem o lanche (Ana só não comia ração e Bibica não gostava de bacon), o papo, a música e até mesmo a dança.
Ana começou a namorar e Beatriz foi a primeira, a saber. Cá entre nós, a que ficou mais triste também, pois “o cara” era pagodeiro e Beatriz tinha pavor a pagode. Então quando Bibica tentava roçar a sua língua na tela do som, sua língua rejeitava e ela odiava.
Certa noite Ana entrou correndo em casa e encostou suas costas na porta descendo lentamente até bater a bunda no chão e deu um grito muito alto: Cachorro!!! Bibica olhou atentamente e ouviu um desabafo que se tornou música para os seus ouvidos.
– Ele deixou uma carta e nem assinou, disse que tinha pressa para ser feliz e precisava se livrar de mim. Foi morar na Irlanda e estudar inglês.
– Bibica miava melancolicamente tentando confortar a sua dona.
– Se ele pensa que vai ficar assim está muito engano. E pegou todos os discos do Molejo, Patrulha do Samba e Katinguelê de Robson e jogou pela janela.
Bibica Bicuda ria feliz e correu para o som como se pedisse algo. Ana colou para tocar de Jorge Ben a Led Zeppelin e dormiram por ali mesmo, pelo tapete vermelho, com fumo caído pelo chão e lágrimas que rolaram a noite toda.
Ana era assim, fraca. Quando arrumava um namorado mudava o seu estilo. Quando fumava um baseado mudava a música. Só não mudava de gata.
E assim elas iam vivendo, ouvindo, fumando, trocando sentimentos, soluções e segredos. No fundo, no fundo, Ana queria miar igual a Beatriz e Beatriz era louca pela voz de Ana e sabiam que juntas eram uma orquestra de felicidade, no tapete vermelho.
O Brasil está em polvorosa. Aguardamos a Copa do Mundo, em meio a “presos políticos” no Rio, a defesa dos professores na Câmara Municipal e agora a defesa-furto dos beagles em São Paulo… Acredito e desacredito em tudo. Seria presunçoso tentar expressar qualquer opinião neste momento. Estando fora do Brasil, fica difícil acompanhar este cenário. A internet é o único meio. Seja lendo os sites dos principais jornais ou me correspondendo com amigos e familiares.
Não dá pra confiar na mídia (aliás em quatro anos nunca encontrei um site brasileiro decente com o qual eu sentisse que dava pra acompanhar o cotidiano do país). A política e a polícia são sempre do mal. E o Facebook virou o canal e ao mesmo tempo o refúgio da “liberdade de expressão” (não estou no Twitter, então não posso avaliá-lo). As manifestações são legítimas, mas estou muito longe pra participar. Então perdoem o desabafo.
Já não aguento mais FB. São tantas novidades e opiniões que a gente nem precisa mais ler outras fontes. Basta compartilhar, reproduzir e expor suas ideias e indignações. Vejo proliferarem links de mídias alternativas. Vou lá, leio e não consigo confiar em nada. Na mídia gringa também não (com raríssimas exceções, como The Guardian talvez). No mais, estamos tão ocupados na convivência pelo FB que parece que não dá mais pra viver fora dele. Um santuário onde cada um constrói sua imagem, sua face, através de palavras, palavras, palavras, imagens, hyperlinks (não me excluo daí, galera).
Em tempos de tanta conversa em vão, quando estou quieta e juntinho do meu computador, meu verdadeiro ópio é escolher uma boa fala, de algum pensador, ou artista ou personalidade interessante, e deixá-lo(a) falar o tempo que for, o mais longo possível. As vezes vou fazer outra coisa e continuo escutando. Até pra cozinhar e fazer um alongamento, já testei. Escutei todas as falas da Márcia Tiburi, do Flávio Gikovate, várias da Viviane Mosé e muitos outros do Café Filosófico (excelente iniciativa da CPFL Cultura). Dos gringos, tantas aulas e palestras incríveis estão disponíveis. As palestras do neurocientista e biólogo Robert Sapolski, da Universidade de Stanford foram uma dádiva por uns tempos para mim. As meditações do maluco Terence Mckenna ou os transhumanistas sobre o aprimoramento da humanidade (estes merecem um post!). Verdadeiras lições de ciência e de vida, de graça, online. Entrevistas também, já me inebriei com Angel Vianna, Paulo Freire, com artistas como Richard Serra, Bernie Lubell, Björk, Matthew Barney, tanta gente e tanta questões fascinantes que nos preenchem por tantas horas, meses, anos de reflexão.
Quero mais assertividade, mais profundidade e mais amor, por favor (para usar uma expressão em voga). Por isso eu termino sugerindo uma excelente conversa com Zygmunt Bauman, o sociólogo polonês, autor de muitos livros sobre o conceito da ‘Modernidade Líquida’. Legendas em português!
Doença e saúde, antagonistas da existência humana, recheadas de tantos saberes e crenças. Desde a alopatia clássica até a cura pelo “sopro divino do espírito velho da tia zazá da floresta encantada”, a humanidade segue em busca de um equilíbrio, da tão falada felicidade.
Mas devemos nos lembrar que felicidade não é um final, felicidade é um estado, onde estamos por momentos de duração indeterminada. E esses momentos são construídos por toda gama de inter-relações que possuímos com objetos, pessoas, o mundo em geral.
Respirar talvez seja a coisa mais simples e mais eficaz para uma mudança de vida. É o básico mais óbvio, mas mais uma vez o nosso dia-a-dia nos afasta deste movimento involuntário natural.
Na vida cotidiana, vivemos em busca desta felicidade, que pode ser traduzida pela busca do equilíbrio, do prazer. Na correria, deixamos de fazer coisas que são absolutamente básicas e que geram muito mais qualidade de vida, consequentemente, prazer, equilíbrio e felicidade.
Respirar talvez seja a coisa mais simples e mais eficaz para uma mudança de vida. É o básico mais óbvio, mas mais uma vez o nosso dia-a-dia nos afasta deste movimento involuntário natural. Acabamos por respirar errado, absorvendo pouco ar, provendo com pouco oxigênio nosso corpo.
Em momentos de privação, podemos ficar dias sem água, comida ou sol, entretanto, não ficamos nem cinco minutos sem respirar. O cérebro, nossa central de comando, tem no oxigênio uma de suas matérias primas para o seu bom funcionamento. Respirar mal gera mal funcionamento dessa central que, não funcionando a contento desarmoniza o funcionamento do organismo. Portanto, respirar de modo eficaz faz tudo em nosso organismo funcionar melhor.
Respirar expandindo completamente o abdômen é a forma plena de se respirar. Que tal respirar profundamente, pelo menos por três vezes, inspirando, empurrando o abdômen pra fora e ao expirar puxando-o pra dentro, enquanto você lê esse texto?Talvez você se surpreenda ao perceber que está fazendo o contrário do que geralmente se faz! Se possível,observe um bebê respirando. Seus pequenos ombros quase não se mexem e seu abdômen fica pra fora e pra dentro, usando bem o diafragma, este músculo tão importante e tão esquecido.
Imagine cada professor,em cada escola, antes de iniciar a aula,induzir um processo de respiração. Tenho certeza que as notas desta turma subiriam, pois respirar corretamente aumenta a concentração, traz harmonia e equilíbrio.
Não estou afirmando que respirar bem vai resolver todos os problemas e todos seremos felizes, a “mágica” está no cotidiano da vida! Mas se passarmos a respirar corretamente muitos benefícios ocorrerão, experimente. Respire fundo e boa sorte!
A animação da francesa Hélene Leroux, Floating in My Mind, foi o seu projeto de conclusão do curso da Gobelins School em Paris.
O filme busca mostrar metaforicamente através de balões, a forma que vamos acumulando os relacionamentos durante nossas vidas.
O estilo de desenho da francesa nessa animação é tipo aquarela, bem animado, com uma estética simples e minimalista, e para conhecer mais do trabalho de Hélene Leroux, acesse seu blog clicando aqui.
Elegância, sincronismo e dança. O curta criado e dirigido por Marc-Antoine conta com uma fotografia simples, mas impecável que mistura tons de preto, cinza e branco. Nuance é pontuado por elementos de luzes brilhantes em perfeito sincronismo com a música e o talentoso dançarino Lucas Boirat. Se você curte danças em que o artista precisa se entregar fisicamente, com certeza vai gostar do vídeo.
Uma das lições que a música vem me ensinando no meu tempo como músico é que mergulhar no desconhecido é necessário à vida. O segundo antes das cortinas do palco se abrirem, o breve instante de profundo silêncio entre o “gravando!” e a primeira nota tocada num estúdio, são momentos em que um abismo negro se abre um passo à frente de nossos pés, e esse abismo nos convida a nele mergulhar e experimentar o desconhecido, o insondável, aquilo que está além do nosso controle e muitas vezes de nossa compreensão.
Os canalhas nos ensinam a ter medo, e os idiotas levam a mensagem adiante
A cultura ocidental, industrial e consumista que vivemos nos adestrou e domesticou nossos ímpetos, impulsos e desejos. Ou deturpou esses ímpetos, impulsos e desejos em atitudes e modos de vida alienantes ou autodestrutivos. Aprendemos a ter medo do desconhecido, do diferente, do novo, fomos convencidos que precisamos de segurança para viver, quando muitas vezes, de uma hora pra outra, essa segurança ilusória que compramos nos é tirada pelos mesmos que nos convenceram que precisamos dela. E esses mesmos vão nos vender uma nova segurança, uma nova tábua de salvação, pra dali há um tempo tirá-la de novo, e vender outra no lugar dela, e assim infinitamente enquanto nos neguemos a enxergar que a vida é instável, é movimento e é imprevisível. Nada nos trará uma segurança completa e infalível.
Procuramos criar uma zona de conforto, um caminho seguro, uma fórmula milagrosa de bem-estar e felicidade, uma estrada constantemente aberta, sem imprevistos ou sobressaltos. Mas a vida não é assim, e no fim das contas, qualquer busca por segurança ou tranquilidade permanente será apenas uma forma de se anestesiar e de abdicar da maravilha de viver, e das dores, dissabores, erros, tombos e lágrimas que a vida acarreta e que são tão valiosos. Os canalhas nos ensinam a ter medo, e os idiotas levam a mensagem adiante; através desse medo somos sugestionados a nos acovardar, a nos amesquinhar e a recusar a própria vida, ficando sempre na periferia de nossa essência e de nossa verdade. A propaganda inventa problemas, alardeia perigos que não existem e fomenta o medo, para em seguida nos vender a segurança, o emprego estável, o relacionamento perfeito, o seguro de vida, a garantia de felicidade e riqueza; e o entretenimento-anestesia, alienante e idiotizante, é a precaução dos canalhas para que o ser humano patético resultante deste sistema não acorde do coma induzido e arranque os tubos que sugam sua vida.
Paz e tranquilidade constante e imperturbável virá, quem sabe, na morte. A vida é vertiginosa, rebelde, imprevisível. Viver é dolorido e desconfortável; viver é lutar, chorar e sangrar; viver é um constante partir em busca da ilha desconhecida. Em vez de nos sentarmos sobre a ilusão das respostas irrefutáveis, deveríamos mergulhar no maravilhoso e desconhecido abismo das perguntas e incertezas.
Atualmente a palavra “Design” vem constantemente acompanhada de outras palavras: Cake Design, Hair Design, Nail Design, Fashion Design, Design de Interiores, Design de Produto, Design Gráfico, entre outras mais.
O fato é que o mundo despertou pro Design. Todo mundo fala, todo mundo consome, todo mundo interage com o Design, mas a grande maioria das pessoas não faz ideia do que se trata. O termo virou banal, e por agregar valor a um produto ou um serviço, os donos de negócios simplesmente colocam Design depois da sua atividade, tentando trazer um diferencial apenas pelo nome, prestando serviços semelhantes ao seu concorrente (que muitas das vezes tem um nome bem parecido).
E nesse texto inicial, eu quero escrever para quem não é designer, para tentar explicar de uma maneira muito clara, o que é o design, o que ele abrange e a forma em que ele modela o mundo à nossa volta.
O que e Design?
Na época da faculdade, eu sentia uma certa dificuldade em explicar o que eu estava estudando. Minha avó pensava que eu iria dar aula para crianças, pois achava que os estudos de volumetria (pequenas formas geométricas feitas de papel) eram brinquedos didáticos, minha mãe falava que eu trabalhava com computador, meus amigos achavam que eu era um artista, entre tantos outros exemplos que mostram o quanto a as pessoas de fato desconhece o que faz um designer, e o que essa ciência não exata pode fazer para melhorar produtos e serviços.
Sintetizando ao máximo, o Design é uma ciência que faz uso de metodologias para gerar soluções de interação entre objeto e homem.
OK, foi bem técnico mas agora vou tentar demonstrar isso de uma Forma mais prática a forma que um designer trabalha.
Infográfico com todas as disciplinas da experiência do usuário, mostrando as competências das subdivisões do design, e como elas interagem entre si. (fonte: http://visual.ly/disciplines-user-experience-design)
O Designer é o cara responsável pela idealização, criação e desenvolvimento desses objetos, através de pesquisa, criatividade, experimentação, estudos de viabilidade financeira e/ou mercadológica, análise de materiais e processos produtivos, para dispor esses projetos em uma linha de produção. Nessa etapa da cadeia de produção, dependendo do projeto, rola uma intervenção de um engenheiro, ou de um gráfico, ou de outras áreas de competência, mas esse aprofundamento vai ficar para outro post.Infográfico com a evolução de todos os produtos da Apple (de 1976 até 2009).
A qualidade estética no projeto de um carro, por exemplo, é responsabilidade principal do traço do designer, uma cadeira é confortável pelo mesmo motivo. A função da intervenção do designer em um projeto é equalizar forma x função, isto é o produto ser funcional (atender a uma demanda/necessidade específica), sendo agradável aos olhos.
Desenhos (sketches) para geração de alternativas do SLS AMG da Mercedes-Benz, projeto de redesign do Gullwing de 1950.
A Apple é um exemplo bem interessante. Os produtos prezam pela funcionalidade máxima, facilidade de uso e estética aprimorada. Seus produtos são cobiçados porque foram projetos completamente baseados na experiência do usuário, e esse projeto vai desde a identificação da demanda até a distribuição final do produto: o hardware é robusto e funcional, os sistemas operacionais (tanto dos computadores, quanto dos telefones e gadgets), são de uso instintivo, bonitos e de interface amigável), as formas dos produtos são belas e os materiais são rebuscados.
Infográfico com a evolução de todos os produtos da Apple (de 1976 até 2009).
Toda a experiência do usuário é pensada, desde a compra no ponto de venda até o uso do produto, passando, inclusive no pensamento de como ele vai abrir a embalagem, e em toda a cadeia do projeto, tem a intervenção do designer aplicando a sua metodologia de projetos, que é a responsável por melhorar todos os produtos e serviços que nos cercam, desde a pega do garfo que você usa para almoçar até essa tela do computador ao qual você está lendo esse texto.
O trabalho do designer abrando do micro ao macro. No exemplo acima, um estudo de typografia, que mostra que o trabalho do designer está em todos os lugares, inclusive nas letras dos textos que você lê.
Quase tudo à sua volta é design: o carro que dirige, o ônibus que você pega, a revista que você lê, o talher que você usa para comer, a caixa do cereal que você come de manhã.
O Gullwing original de 1950 e o redesign da Mercedes lançado na primavera de 2010.
Esse texto, foi uma introdução sobre o que é o design de uma forma em geral, e nos próximos posts, vou aprofundar mais em cada subdivisão do design e abordar um pouco mais das metodologias e processos, no desenvolvimento de projetos de cada área, e como o olhar do design pode melhorar produtos, serviços e experiências em geral.
Rio de Janeiro, Brasil, 2001. Eu tinha um gato que se chamava “Mingau”. Como todo gato, ele era independente: comia por conta própria, fazia suas necessidades, dormia e, no máximo, pedia carinho. Até que um dia meu irmão apareceu em casa com um cachorro tão pequeno que parecia um filhote de raposa. Devo confessar que fui o primeiro a negar a permanência do bicho, afinal já tínhamos um gato. Meu pai, assim como eu, também era contra, mas os poderes do meu irmão caçula junto com os argumentos da minha mãe foram suficientes para que a “Tchutchuca” ficasse.
No começo, meu irmão cumpriu o combinado: brincava, comprava a ração, dava banho e levava para passear. Com o passar dos anos a cadela foi crescendo e deixando de ser tão legal (pelo menos para ele) e, com a morte do Mingau, acabei me apegando a ela, que acabou se tornando minha companhia mais tarde, quando fui morar sozinho.
Passamos por poucas e boas juntos. Dividimos um cômodo alugado que servia de laboratório para a minha loja de informática, moramos em uma casa com quintal em Madureira e depois fomos para o Grajaú. Como o apartamento era pequeno o comportamento dela começou a mudar, e ela passou a ser uma “filha” problemática. Logo depois, com o nascimento do meu filho, não tivemos escolha e passamos a “bola” para o meu pai.
Anos passaram e a relação dos dois se transformou em um relacionamento sério. Meu pai tinha se separado e a Tchutchuca, passou a ser sua companheira. Eles se entendiam tão bem que quando ele tinha que ir trabalhar ligava para um vizinho para saber como ela estava.
Santiago, Chile, 2013. Eu e Roberta tínhamos acabado de sair para conhecer a cidade e nos deparamos com a seguinte cena: dois cachorros grandes correndo em direção a um chafariz. Enquanto se banhavam e bebiam água, latiam sem parar. Cheguei pensar que tivessem donos, pois pareciam bem cuidados. Achei a cena interessante e fiz um vídeo com o meu celular.
http://youtu.be/KcmIdlK7R-8
Seguimos em direção a Plaza de Armas e no caminho, quase que invisível no meio de uma manifestação, outro cachorro…
Fomos para o ponto de encontro do Free Tour e antes mesmo de perguntar sobre os animais um dos turistas foi abordado por um cão. O guia então nos explicou que existem milhares de cachorros abandonados pelas ruas, não só em Santiago como em outras cidades. Em 2010 o jornal PrensAnimalista, afirmou que várias comunas do Chile maltratam e sacrificaram animais. Uma delas é Hualpén, na província de Concepción, na região de Biobío, ao sul do país.
Como um gato esse aí foi logo se esfregando para conseguir um cafuné…
No Chile cada bairro (comuna) funciona de forma independente. Santiago por exemplo tem uma campanha de conscientização sobre o abandono. Existe também um controle de vacinação dos animais que os identificam com uma coleira informando quando o animal foi vacinado.
Pesquisando na internet sobre esse problema encontrei um vídeo muito interessante criado por Violeta Caro Pinda e Felipe Carrasco Guzman, que usaram a criatividade para chamar a atenção da população amarrando fitas e balões com mensagens como “brinque comigo” e “não me abandone” no pescoço dos cães. O vídeo é uma intervenção urbana e foi intitulado como “Estoy Aquí” (Estou Aqui).
Essa pequena experiência em Santiago reforçou ainda mais a minha ideia sobre ter animais, sem medir as consequências. Quando vemos aquele filhote fofo fazendo graça esquecemos a responsabilidade e os cuidados que devemos ter com o animal. Não falo apenas de catar as fezes ou alimentá-lo, falo de espaço, atenção e respeito. A Tchutchuca não sofreu e nunca foi abandonada, mas devo admitir que ela só permaneceu na casa por conta de um mimo de mãe para filho e não por uma decisão sensata. Não imaginávamos que tantas coisas iam mudar nas nossas vidas, mesmo assim ela permaneceu ao nosso lado, em cada momento de dificuldade e sempre estará nos nossos corações.
Tchutchuca viveu de 2001 à 2012. Morreu ao lado do meu pai um pouco depois que ele operou o coração.