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Flash Day: estilo e velocidade

Em seus vários tamanhos, cores e estilos, a tatuagem é algo que sempre chamou a atenção de pessoas de todas as idades, fazendo sucesso principalmente entre os jovens. Pelo que parece, a tendência da Flash Tattoo voltou dos anos 90 com força total. No que consiste essa prática?

Ao longo dos anos, a ideia da tatuagem foi ganhando força e sendo impulsionada com a ajuda de alguns movimentos musicais e artísticos no geral, indo desde o movimento hippie, passando pela cultura hip hop, até o movimento punk. Dizem, inclusive, que a arte de registrar o corpo possui uma história milenar, sem haver concordância sobre seu local e época de origem.

 

 

Entre uma de suas diversas modalidades, aparece, no final dos anos 90, a Flash Tattoo. Considerada uma forma rápida e prática de se tatuar, é nada mais do que a escolha de desenhos apresentados pelo tatuador. Um “cardápio” de tatuagens para pronta consumação, se preferir.

 

 

Já tendo estabelecido e organizado alguns de seus desenhos mais práticos, o tatuador os coloca à disposição em um evento em que estiver participando, ou em seu próprio estúdio, para que as pessoas possam escolher rapidamente o que mais combina com elas. A sessão costuma ser bem rápida e o preço bem menor do que o habitual.

 

 

Entrando mais uma vez em cena, hoje em dia é comum encontrarmos Flash Days ocorrendo em galerias de arte, bares, barbearias, festas e eventos variados. A ideia é proporcionar uma experiência diferente que marque – literalmente – a pessoa que decidir entrar na onda.

Já imaginou ir cortar o cabelo e voltar com o pescoço ou braço tatuados? E sendo puro improviso, você teria coragem?

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Clímax – Uma experiência extasiante

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Chegou na Netflix o último longa metragem de Gaspar Noé: Clímax. Certamente a obra confere o que o título propõe. O filme inteiro se passa num tempo de clímax cinematográfico, ao passo que possivelmente também faz uma referência ao ponto máximo de êxtase causado por uma droga. A proposta de câmera diretamente ligada à narrativa também é muito interessante. A câmera segue os personagens como um espetáculo itinerante que tem como protagonista o espaço e as sensações.

A primeira cena após o prólogo é um plano-sequência sensacionalmente coreografado com movimentos de câmera dialogando com movimentos de dança incríveis dos bailarinos. A partir daí é só clímax até o final do filme.

É cativante e arrebatador a forma como Gaspar Noé trabalha profundamente na sensibilidade do espectador. Através de uma linguagem um pouco documental, dados os planos sequência e as entrevistas, o filme explora o campo do absurdo de uma maneira muito realista, o que é possivelmente o maior causador de tensão a quem assiste.

Para quem não conhece o trabalho do diretor, vale a pena conferir também o “Enter the Void”, que de maneira muito simbólica e ilustrativa aborda o tema das drogas e da morte.

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Em busca de paz

Raoni Metuktire, 89 anos. Cacique da etnia Kaiapó, cresceu no Mato Grosso e desde os seus 15 anos luta pela demarcação das terras indígenas e pela preservação do meio ambiente. Hoje, depois de mais de meio século resistindo aos ataques de madeireiros, garimpeiros e de grandes empreiteiras que buscam lucro através da exploração de territórios indígenas, se encontra diante de um dos maiores reconhecimentos do mundo moderno: é um dos candidatos ao prêmio Nobel da Paz de 2020.

https://www.facebook.com/jornalistaslivres/videos/383243635842985/

No vídeo, feito por uma mídia independente, Cacique Raoni demanda que o governo ouça as vozes do seu povo.

O cacique voltava de uma viagem à Europa, onde encontrou-se com diversos líderes políticos e religiosos, a fim de reunir apoio para ações de combate às queimadas ocorridas na Amazônia, quando recebeu a notícia de que seria indicado.

Raoni e Emmanuel Macron, presidente da França.

A proposta veio diretamente da Fundação Darcy Ribeiro, através da qual diversas entidades e organizações indigenistas e ambientalistas estruturaram uma campanha para que Raoni alcance a premiação.

Neste outro vídeo, o cacique aparece defendendo a importância da Funai em uma conferência no início de 2019.

O objetivo da campanha é, para além do reconhecimento legítimo da luta de Raoni e da necessidade de respeito aos povos indígenas, chamar também a atenção mundial para o que está acontecendo na parte brasileira da Floresta Amazônica. De acordo com o Greenpeace, o número de queimadas já é 145% maior do que o registrado no ano passado. Em agosto deste ano, até o dia 20, foram 23 mil focos de incêndio na Amazônia — mais de mil por dia.

A campanha segue com a hashtag #raoninobeldapaz2020 nas redes sociais.

Leia também:

Amazônia em chamas
Quem nasce em Bacurau é gente
Persistência e resistência
Trapalhadas sem fim

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Ancine sob ataque

A Ancine – Agência Nacional do Cinema -, órgão do governo federal responsável pela regulamentação, fomento e fiscalização das produções audiovisuais no Brasil, tem sido alvo de ataques do então presidente Jair Bolsonaro, que, desde a sua campanha, visa extinguir as suas atividades. O que isso significa?

O órgão foi criado no mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sendo, em 2001, ano de sua fundação, ligado diretamente à Presidência da República. Em 2003, passa a ser administrado pelo Ministério da Cultura e hoje, com a extinção deste ministério, se torna responsabilidade do recém criado Ministério da Cidadania. Através desse novo regime de pastas, a agência vem sendo completamente desmontada e sofreu, apenas neste ano, um corte de 43% em seu orçamento.

Abaixo, trecho da reportagem publicada pelo jornal ISTO É:

“O esvaziamento total da Ancine viria com a transferência do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), atualmente sob seu controle, para a Secretaria Especial de Cultura, o que vem sendo estudado pelo governo. O fundo teria R$ 724 milhões para gastar neste ano, mas nenhum tostão ainda foi liberado. Dezenas de projetos de filmes e séries estão parados ou comprometidos.

Veja também a reportagem na íntegra.

Contando com alguns parafusos a menos, o atual presidente, Jair Bolsonaro, anda construindo mais uma realidade fantasiosa em sua cabeça, e agora o alvo é o cinema nacional. De acordo com as vozes na cabeça dele, a Ancine não passaria de uma grande mamata para artistas globais, que não mereceria dinheiro público. Bolsonaro admite, de forma infeliz, falsas verdades sem o conhecimento (Será?) de que a indústria cinematográfica e audiovisual têm gerado um dos maiores retornos para a economia do país.

Para completar o esvaziamento, o presidente busca implementar uma censura de bases moralistas, já característica de seus discursos e que, agora, vem sendo fortificada em seu plano de governo. Através de seus discursos meticulosamente histéricos, ele determina que o dinheiro público deverá ser investido apenas em obras que contemplem “a família e os bons costumes”, usando como exemplo o filme Bruna Surfistinha (Baldini, 2011), que seria demasiadamente promíscuo.

Em seus últimos decretos, Bolsonaro barrou o financiamento de diversas obras audiovisuais, incluindo diversas séries, curtas e longa-metragens com temáticas lgbtqi+, já previamente selecionados em edital realizado pela Ancine, e um documentário sobre a campanha do próprio Jair Bolsonaro e sua chegada à presidência pelas polêmicas eleições de 2018. Tá sentindo um cheirinho de censura?

Em seu site, a agência HuffPost Brasil denuncia a censura realizada pelo presidente contra as produções audiovisuais e destaca algumas das obras vetadas.

Confuso? Clique aqui e veja a lista 9 pontos cruciais para entender toda essa situação.

Em resposta aos ataques de Bolsonaro, a Ancine lançou uma campanha que demonstra, através de dados e fatos concretos – que não são de costume do senhor presidente -, a sua importância na indústria cinematográfica brasileira, ressaltando o retorno que dão para o Estado.

É importante enfatizar o fato de que nenhum real disposto pela Ancine ou pelo FSA para as produções audiovisuais são originados de impostos pagos pela população civil, mas sim de investimentos com os quais todo empreendimento do setor audiovisual é obrigado a contribuir.
Ou seja, ao contrário do que Bolsonaro quer que você pense, o Fundo Setorial não compete com investimentos na saúde e educação públicas, nem com qualquer serviço ou assistência prestados pelo governo.

https://youtu.be/vO7iFVW6sf0

Vídeo de lançamento da campanha publicitária em defesa do audiovisual brasileiro.

A indústria cinematográfica brasileira vem se desenvolvendo muito desde a fundação da Ancine, ganhando cada vez mais estrutura, visibilidade e reconhecimento no cenário internacional.
Com ela, crescem também as riquezas culturais do país, o seu mercado, e, principalmente, cresce o retorno para a sociedade brasileira. Jogar todo esse avanço fora seria, para além de desperdício, em seu significado mais radical, uma grande burrice.

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Aquele tal de irmão do Jorel

“Come Abacate, bem!!” Diria a vovó Juju, personagem da animação que vive tentando enfiar a fruta goela abaixo de seus netos e que ajuda a compor a narrativa desse desenho cheio de questionamentos — será que abacate é mesmo uma fruta?? Segundo a vovó Juju, o importante é pôr pra dentro!

Para quem não conhece, uma breve explicação: Irmão do Jorel é uma animação brasileira criada por Juliano Enrico (Roteirista da TV Quase, criadora dos programas: Choque de Cultura e Último Programa do Mundo) e co-produzida pelo Cartoon Network e a Copa Studios que vem fazendo sucesso ao redor do mundo e já caminha para a sua quarta temporada. Assim como o abacate, é algo que, sem dúvidas, deve ser consumido sem moderação!

Com o seu nome jamais revelado, o protagonista, irmão do Jorel, nos mostra como é a vida de uma criança que vive à sombra dos irmãos mais velhos e nos leva a uma sequência de questionamentos sem fim em seu dia a dia nada comum, mas ainda assim super familiar.

A animação, que teve sua estreia em 2014, é a primeira do Cartoon Network produzida no Brasil e em toda a América Latina. Agora comprada pela Netflix, vem conquistando cada vez mais audiência em meio a públicos de todas as idades. Recentemente, recebeu o prêmio Quirino de Melhor Série de Animação Ibero-Americana, que tem a sua cerimônia realizada na Espanha.

A esquerda o Irmão do Jorel e a direita o criador do Irmão do Jorel, Juliano Enrico.

Recentemente, o desenho foi indicado para o Emmy Kids Internacional, premiação realizada pela Academia Internacional das Artes & Ciências Televisivas, e hoje concorre com outros na categoria de melhor animação!

Curioso para conhecer? Ou já tá cheio de vontade de assistir tudo de novo? Os episódios estão todos disponíveis no catálogo da Netflix e, se quiser mergulhar ainda mais no universo, o site da Cartoon traz diversos jogos baseados no desenho. Você pode conferi-los aqui.

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Hot, Oreia e as referências brasileiras

Hot e Oreia são dois amigos que, juntos, formam uma dupla que vem ganhando espaço na cena do hip hop nacional com suas rimas inteligentes; questionadoras e sua estética original. Junto com Djonga, FBC, Clara Lima e Coyote, formam a DV Tribo — um grupo de craques do cenário brasileiro.

Esse ano, Hot e Oreia lançaram o álbum “Rap de Massagem”. Cheios de referências em suas letras e clipes, a dupla frequentemente traz símbolos brasileiros para suas produções, como no clipe de “Eu Vou”, com Djonga, em que fazem uma intertextualidade com o filme “Auto da Compadecida” e também brincam com uma autorreferência de Djonga, no seu álbum “O menino que queria ser deus”.

Ambos são fortemente ligados à espiritualidade e portanto, à ancestralidade. O que pode ser uma das explicações para a tamanha sensibilidade presente em suas letras, como na música “Eparrei” em que Oreia canta que “Deus é todo mundo sorrindo ao mesmo tempo”.

Além disso, trazem rimas de forte cunho político, com críticas sociais coerentes e metáforas extremamente elucidativas. Fazem questionamentos acerca da realidade social do Brasil, mas também contestam o próprio meio do hip hop e os valores em voga dentro dessa cultura. No refrão de “Rappers”, Hot canta que “nós tá fora da caixa, eles tão dentro do caixão”, em uma metáfora perfeita para o conservadorismo implícito em letras de objetificação de mulheres e glamourização de drogas e violência.

Se ainda não ouviu Hot e Oreia, vale a pena conferir. O álbum “Rap de Massagem” está disponível no Spotify e no Youtube. Os beats também são incríveis, então é um álbum muito agradável pra escutar no dia-a-dia!

Curtiu? Se inscreva no canal do Hot e Oreia!

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Uğur Gallenkus

O ano era 2015 e o noticiário impactava o mundo com uma imagem desoladora: o corpo de um menino sírio havia sido encontrado na praia. A Turquia sentia o peso do sofrimento humano e passava a abrigar mais de três milhões e meio de refugiados. Enquanto isso um homem comum, morador de Stabul, chamado Uğur Gallenkus sentiu que precisava agir. Formado em Administração de Empresas, Gallenkus não criou um novo negócio ou enviou um relatório de possíveis medidas administrativas, ele criou quase que de forma divina um formato simples e impactante de contar histórias através de colagens digitais.

Apesar de não ter nenhuma noção de arte digital, começou a aprender como utilizar programas de design e aos poucos foi evoluindo e em 2016 iniciou o projeto que acabou conquistando milhares de seguidores em suas redes sociais. Confira algumas colagens abaixo:

Assim como em suas montagens, Uğur Gallenkus acabou desvendando um outro lado de si, tudo por conta de um sentimento que, segundo ele próprio, parecia um propósito que não podia ser negado e assim desenvolveu uma forma de comunicação que inicia uma conversa única entre duas cenas aparentemente completamente opostas.

 

“Só interpreto as imagens de uma maneira diferente. Tento encontrar o valor e o significado das fotos que vejo nas notícias e acrescentar a mensagem que quero passar ao mundo. ”

Uğur Gallenkus

 

 

Uğur Gallenkus fez um movimento totalmente oposto a sua competência profissional e balançou o mundo, trazendo reflexão. E você? Já teve essa sensação de querer se manifestar de alguma forma? Foi em frente ou desistiu?

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Amazônia em chamas

A Amazônia foi considerada, por muito tempo, o pulmão do mundo. Hoje, com essa hipótese já descartada, desdenhamos de sua importância e desaprendemos a respeitá-la, coisa que nós, os Homens modernos, talvez nunca tenhamos aprendido. A Amazônia já foi, e continua sendo, o lar de infinitas e diversas formas de vida. Hoje, pega fogo.

Há alguns anos, seguia-se a hipótese de que a Amazônia produziria a maior quantidade de oxigênio presente em nossa atmosfera, contribuindo para a manutenção da vida em todo o planeta, sendo então considerada o “Pulmão do Mundo”.

Agora, entende-se que a maior produção e contribuição de oxigênio da Terra vem de algumas espécies de algas marinhas. De fato, a Amazônia não é o pulmão, mas isso nem de longe significa que ela perde sua importância na manutenção dessa engrenagem que mantém o planeta girando. Você já ouviu falar dos Rios Voadores?

Produção de oxigênio no mundo:

Algas marinhas – 54,7%
Bosques e florestas – 24,9%
Estepes, campos e pastos – 9,1%
Áreas cultivadas – 8,0%
Algas de água doce – 0,3%

(dados da revista Super Interessante: https://super.abril.com.br/ciencia/a-amazonia)

 

Os rios que voam

Você já ouviu falar dos rios voadores? Sim, você não leu errado. Rios voadores. Milhares de gotas voadoras que juntas formam toneladas de água viajando pelo céu, bem em cima das nossas cabeças.

Esse fenômeno faz parte do ciclo d’água de toda a América Latina, promovido pela floresta, e está relacionado à absorção da água, tanto vinda dos oceanos, quanto dos lençóis freáticos, que estão contidos debaixo do solo, pelas incontáveis plantas e árvores amazônicas que depois lançam de volta no ar essa água em forma de vapor, que logo é carregado vento à fora.

Gráfico mostra o caminho realizado pelos rios voadores/Fonte: Projeto Rios Voadores. (clique na imagem para ampliar)

Estima-se que uma árvore média (de 10 à 20 metros de diâmetro) transporta, por dia, entre 300 e 1000 litros de água. O fato é que existem mais de 600 bilhões de árvores compondo a Amazônia. Através do suor de todas essas árvores, a cada dia a floresta produz e transporta quantidades absurdas de água, comparadas ao próprio rio Amazonas.

“[…] o Brasil teve, aproximadamente, 75 mil incêndios florestais, mais de 40 mil deles apenas na Amazônia.”

Essa enorme quantidade de água é então levada pelas correntes de vento que vem do Oceano Atlântico, até encontrar uma grande barreira: A Cordilheira dos Andes. É pelo choque com essas grandes montanhas que toda essa água percorre o continente, irrigando todo o nosso solo em direção ao sul.

Ou seja, se temos a enorme riqueza de nossos recursos naturais e se estes estão em abundância ou não para que possamos aproveitá-los, depende inteiramente da capacidade da Floresta Amazônica de nos trazer água. Sem este sistema super elaborado de irrigação, nossas plantações morreriam, nosso ar seria pior e mais poluído, a biodiversidade começaria a decair de forma assustadora, os rios iriam secar e, por consequência, perderíamos as barragens e hidrelétricas que nos provém água encanada, energia elétrica e, basicamente, tudo o que mais precisamos para viver.

 

Aumento das Queimadas

Desde o começo do ano até o momento em que escrevo, o Brasil teve, aproximadamente, 75 mil incêndios florestais, mais de 40 mil deles apenas na Amazônia. Estima-se que esse número é o maior dos últimos dez anos, tendo crescido somente em Agosto, absurdos 196%, se comparado com o do mesmo período de 2018.

O aumento das queimadas como forma de desmatamento na Amazônia vem se dando de acordo com as políticas do atual governo federal, de Jair Bolsonaro. Segundo recentes descobertas publicadas pelo The Intercept, que vazou alguns áudios contendo conversas do presidente, Bolsonaro estaria implementando um plano de exploração e povoamento da região amazônica que vem sendo arquitetado já há um bom tempo.

 

Reprodução The Intercept Brasil

 

Encabeçado pelo coronel reformado Raimundo Calderaro, que ainda sonha com os ideais de progresso da ditadura militar, o projeto Barão de Rio Branco foi apresentado em fevereiro deste ano e resgata a ideia de povoar a região Norte do país. A ideia é apresentar incentivos para empreendimentos que aumentem a participação de toda a área na geração do Produto Interno Bruto (PIB), pouco importando as consequências climáticas, ambientais, étnicas e sociais dessas ações.

A reportagem que denuncia os esquemas do presidente, publicada pelo The Intercept Brasil, lista alguns dos principais pontos do planejamento do governo bolsonarista que honram o desejo dos militares em dominar o território, contra a permanência dos povos indígenas e a demarcação de áreas de preservação:

1 – Industrialização
Aumento da infraestrutura local em busca de expandir o alcance do estado para a exploração dos terrenos e minérios encontrados na região.

Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

2 – Fronteiras sob controle
A preocupação com a chegada de imigrantes e uma paranoia sobre os interesses da China no Suriname, país fronteiriço ao Pará e Amapá.

3 – Colonização e Soberania
Busca incessante por uma soberania do estado brasileiro perante a Amazônia, descartando a soberania dos povos indígenas e quilombolas ali presentes. Aqui, assume-se o antigo lema da ditadura: “integrar para não entregar”.

4 – Do quartel ao gabinete
Partindo de um momento de crise, a desinformação provocada por Bolsonaro traça um bom cenário para que os militares cumpram seu objetivo: se reaproximar das posições governamentais.

Acompanhe a matéria na íntegra e entenda melhor como se estabelece a maior crise internacional do governo bolsonarista, até agora.

 

Realidade

A situação tá tensa. Não é a toa que o assunto tem gerado discussões, conflitos e mobilizações em todo o mundo. Recentemente, em um evento na Cúpula do Clima, da ONU, a ativista sueca de 16 anos, Greta Thunberg, realizou um discurso alertando aos governantes e à comunidade internacional sobre a necessidade de ações reparativas.

Seu discurso deu origem à um movimento de manifestações chamado “Fridays for Future” (em inglês, “sextas-feiras para o futuro”) e à uma chamada aos estudantes para a Greve pelo Clima, com a hashtag #GrevePeloClima ou, em inglês, #ClimateStrike, que já alcança milhares de pessoas ao redor do mundo.

https://www.youtube.com/watch?v=o2SxZaYBrMQ

Discurso da ativista Greta Thunberg na Cúpula do Clima, em Nova York

Abaixo, um trecho de uma reportagem realizada pela Globo e disposta no Portal G1:

“Um dos mais importantes climatologistas do Brasil, Carlos Nobre denuncia o risco de a Amazônia deixar de existir como nós a conhecemos se o desmatamento destruir pelo menos 20% da vegetação. Dados atualizados dão conta de que a destruição já alcança pelo menos 15% da floresta:

‘A Amazônia é a região com maior biodiversidade, maior número de espécies do planeta se encontra na Amazônia. Então, nós teríamos uma enorme perda de biodiversidade. A Amazônia armazena 100 bilhões a 120 bilhões de toneladas de carbono na sua biomassa, em cima da floresta, nos solos. Se isso for para a atmosfera praticamente aniquila qualquer possibilidade de nós atingirmos os objetivos do Acordo de Paris, de não deixarmos o planeta aquecer mais do que dois graus‘.”

E aí, percebendo a necessidade de mudança? Ao encarar essa realidade, não podemos esperar que as coisas se resolvam sozinhas. É importante agir. Não sabe o que fazer? Sem problemas! Dê uma pesquisada sobre as hashtags citadas, mantenha-se atualizado nas redes sociais e não esqueça de se movimentar!


Links que podem ser úteis:

Monitoramento de queimadas no Brasil, via satélite, em tempo integral.

http://queimadas.dgi.inpe.br/queimadas/portal-static/situacao-atual/

Plataformas do movimento de greves estudantis pelo clima.

https://pt.globalclimatestrike.net
https://www.climatestrike.net


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Bob Ross

Você provavelmente conhece o Deadpool, herói excêntrico da Marvel que conquistou o público com seu jeito sarcástico de combater o crime. Provavelmente você já deve ter assistido um dos teasers mais famosos do filme, onde ele aparece com um cabelo black power pintando uma tela e falando de fala mansa. Se não viu, assista o vídeo abaixo, pois foi através dele que o mundo passou a conhecer um pouco mais sobre Bob Ross.

Um dos ícones americanos da cultura pop dos anos 80, Ross ficou conhecido por estrelar o programa “The Joy of Painting” exibido na PBS (uma espécie de TV Cultura dos americanos). Com fala suave e cativante, o pintor gravou mais de 400 programas (no estilo vídeo tutoriais) entre o ano de 1982 e 1994, conquistando muitos fãs. Sua cabeleira se tornou marca registrada, por não ter grana para ficar cortando o cabelo com muita frequência. Ao decidir adotar o estilo Black Power para economizar, acabou tendo que adotá-lo para sempre, mesmo após a fama, uma vez que as pessoas o associavam não só o seu jeito diferente de ensinar, como também o seu estilo de ser.

Quer aprender a pintar com o Bob? Clique aqui e acesse o canal oficial.

Bob começou a dar suas primeiras pinceladas em seus momentos de folga da força aérea americana, pois a forma de comunicação de seus superiores – sempre aos berros – lhe deixava muito estressado e decidiu começar a pintar para tentar relaxar. Após largar a carreira militar, decidiu que nunca mais levantaria a voz para as pessoas e passaria a se comunicar de forma cativante e agradável. Por consequência, acabou desenvolvendo uma forma de ensinar através da sua fala calma e afável.

“Não cometemos erros aqui, apenas acidentes felizes”. Bob Ross

Uma das perguntas que muitos fizeram desde sua morte era: “Por que não vemos quadros do Bob Ross em exposições?”. A pergunta comum levou a uma “investigação” do The New York Times em um vídeo, onde eles desvendam o mistério. O vídeo faz um apanhado geral muito interessante, mas para entender melhor do nosso ponto de vista brasileiro, convidamos o Oliboni que já tinha feito um vídeo sobre o Bob Ross em 2017, para nos contar um pouco mais sobre a trajetória do artista, e que tipo de técnica ele usava para fazer seus quadros. Confira abaixo:

A proposta de Ross era mostrar o quanto poderia ser divertido e agradável pintar, fazendo com que pessoas comuns se enxergassem como pessoas capazes. A atitude de compartilhar o conhecimento vai ao encontro de um pensamento livre, sem amarras, onde tudo pode ser realizado, basta querer, afinal como ele mesmo gostava de dizer: “A tela é sua e você pode fazer o que você quiser…”.

Agora que você conheceu o Bob Ross, convidamos você a conhecer o site do Oliboni www.diletanteprofissional.com.br que nos ajudou com seu conhecimento.  Lá você encontrar dicas de pintura e desenho, além de recomendações de livros, peças de teatro e cultura pop em geral. Inscreva-se no canal dele clicando AQUI.

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10 Hits da minha infância

Em comemoração ao dia das crianças, resolvi montar uma lista com os grandes hits que tenho memória que fizeram sucesso na minha infância. Me lembro, como se fosse ontem, de inventar palavras por não saber cantar em inglês, enquanto ouvia essas músicas nos cd’s da Malhação ou outros compilados. Uma das minhas maiores felicidades de pequena era ir à Feirinha de Itaipava pra comprar cd’s piratas baratos, porque aí dava pra levar vários. Comprava todos os meus favoritos: Avril Lavigne, Simple Plan e Pitty. Uma pequena rockeirinha. Ainda sim, nas rádios e no TVZ, o que tocava mesmo era hip hop, que acabava me hipnotizando com músicas-chiclete e clipes cheios de coreografias incríveis e figurinos lindos. Então segue aqui o que mais ficou marcado na minha memória.

 

10. Usher – Yeah! ft. Lil Jon, Ludacris

Essa é clássica!

 

9. Pitty – Equalize

 

A primeira música de amor que eu aprendi que não fosse do Sandy e Júnior. Até hoje sou apaixonada por ela.

 

8. The Black Eyed Peas – Don’t Phunk With My Heart

 

Como eu disse: clipes sensacionais!

 

7. Avril Lavigne – Complicated

 

Uma das minhas favoritas dela e seguramente uma das músicas que eu mais ouvia nessa época!

 

6. Nx Zero – Razões e Emoções

 

Um clássico do emo brasileiro e virou hit quando foi lançado.

 

5. Beyoncé – Check on It ft. Bun B, Slim Thug

 

Nesse clipe a Beyoncé se supera na deslumbrância. O clipe foi usado como promocional para o filme “A Pantera Cor de Rosa”.

 

4. Gwen Stefani – The Sweet Escape ft. Akon

 

Essa também é uma das minhas músicas favoritas dessa época. Sou viciada até hoje!

 

3. Sean Kingston – Beautiful Girls

 

Outro hino marcante de um tempo. Essa música foi hit por muitos meses até enjoarem dela.

 

2. Mariah Carey – Touch My Body

 

Mariah é um ícone dessa geração da música popular importada!

 

1. Rihanna – Umbrella ft. Jay Z

 

Rihanna é de longe uma das mulheres mais interessantes da indústria musical americana até hoje. Essa música, que foi hit em 2008, até hoje, 11 anos depois, toca em festas e aparece em remixes.

Esse não é exatamente um registro dos meus artistas ou músicas favoritas dessa época, até porque se fosse, certamente estaria recheado de RBD e bandas emo-pop. Mas é um reunião de tudo o que eu lembro que fez sucesso e se refere a essa geração específica. O que tocava nas festas dos meus primos mais velhos e o que eu via na televisão. O que eu escutava no rádio e via nas novelas. O que os meus pais, sempre muito valorizadores da cultura nacional, diziam ser “essas merdas americanas” – ainda que no meio disso, houvessem diversas músicas brasileiras. Feliz dia das crianças!

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Slow Fashion

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A indústria têxtil é a segunda maior colaboradora para a poluição mundial. A lógica de consumo de roupas é desenfreada e em resposta a isso, o “slow-fashion” aparece como forma de contrapor o “fast-fashion”, que produz roupas em massa através de exploração de trabalho e de destruição do meio ambiente.

Em seu vídeo “Moda consciente”, Nataly Nery, uma youtuber paulista, explica de maneira muito didática como funciona essa lógica de consumo e como ela surgiu.

Para consumir moda de forma consciente, é preciso primeiro entender a si mesmo não como manequim de loja, mas como contador da sua própria história. E há algumas maneiras de fazer isso, sem que seja necessário consumir de maneira irresponsável. É recomendável que se use brechós, ateliês de costureiras autônomas, trocas de roupas… Até mesmo aprender a confeccionar as próprias roupas pode se tornar uma possibilidade.

Uma rápida busca na internet pode te levar ao brechó mais próximo da sua casa. Considerem o slow-fashion em suas vidas!

Curtiu? Se inscrevam no canal da Nataly!

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Quem nasce em Bacurau é gente

Antes de tudo é necessário falar o quanto o fenômeno de Bacurau é emocionante. Qualquer análise de virtudes ou ruindades vem depois. Preciso dizer como é gratificante ter a experiência de viver para ver, em tempos de desmonte da Ancine, um filme brasileiro sendo enaltecido, aplaudido, lotando sessões, estando em exibição por mais de um mês em grandes salas de cinema. Pela primeira vez em tempos, não tive que correr pra poder assistir a um longa brasileiro no cinema, porque via de regra ele sairia de cartaz na próxima semana. Enquanto Bacurau fala sobre o imperialismo americano, quem trabalha com cultura conhece diretamente como essa dominação funciona.

É incrível o equilíbrio com o qual o roteiro trabalha a linearidade e segue uma estrutura clássica de narrativa, mas se faz valer de diversos símbolos para ilustrar uma história épica sobre a organização de um povo pela sua sobrevivência. Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, com muito primor, assumem o cinema de gênero, perpassando pelo faroeste, pela ficção científica, pela ação e aventura e pelo horror. Com uma estética “cyber sertão”, o período do filme se dá daqui há alguns anos, mas fala de problemas muito presentes nos tempos de hoje.

A oposição ao imperialismo e ao neoliberalismo é apresentada de forma perfeitamente dramatúrgica. Primeiramente, a figura caricata dos norte-americanos com seu tesão por armas e assassinato. Na minha opinião é uma das respostas mais interessantes à Hollywood que, se apropriando da sua linguagem, faz exatamente o que a indústria audiovisual dos Estados Unidos sempre fez: pintar o “inimigo da nação” como um selvagem sem propósito, ou com propósitos desumanos.


ATENÇÃO! ALERTA DE SPOILER

Tamanha é a dominação cultural americana que há quem viva sua realidade brasileira, agindo e pensando tal qual um morador de Manhattan. O que me leva ao segundo ponto: os personagens de Karine Telles e Antonio Saboia. O casal sulista é usado pelo grupo de gringos e, ao servirem o seu propósito, são assassinados pelo grupo. Antes de matar o casal, o grupo explica a eles que são brasileiros e não deixaram de ser, independente de seu fenótipo ou realidade econômica. A alienação da classe média e da classe alta se torna patética a ponto de virar piada nas telas de Bacurau.

Outro personagem fundamental para a trama é o prefeito. Não só é a pessoa que permite que a população seja brutalmente atacada, mas aparece logo no início, em uma cena profundamente representativa, com um caminhão de propaganda política e, em contestação simbólica, a cidade inteira se esconde dentro de casa. É importante frisar que tipicamente, em pequenas cidades do Nordeste, o prefeito eleito vive no litoral do estado e visita o município de vez em nunca, em tempos de eleição. Ainda em Bacurau, o carro do prefeito leva uma prostituta embora à força, o que gera um tumulto e é o único motivador para o povo sair de suas casas: a defesa dos seus. Tratando também, de maneira muito realista, a questão da prostituição. O prefeito recebe um dos finais mais icônicos dentre todos os vilões de Bacurau, porque morrer é muito fácil, o homem termina publicamente humilhado.

O filme é poético até na forma de fazer críticas a um sistema praticamente genocida, que é o neoliberalismo.

Mas a crítica à dominação neoliberal não aparece somente no prefeito vendido. A concentração fundiária é comentada no filme. A seca como instrumento político, igualmente. O abandono do Estado faz com que a organização autônoma da população se dê muito antes de começarem os ataques americanos. Em uma reunião dos cidadãos, a personagem de Sônia Braga, médica da cidade, dá um discurso sobre os remédios que são enviados pelo governo à Bacurau. Remédios de tarja preta sem prescrição médica, bem como a indústria farmacêutica gosta. Ela explica os efeitos colaterais e viciantes do uso desses remédios.

Em contraponto, o personagem de Wilson Rabelo é professor e entende de botânica. Ele cultiva uma semente psicotrópica que é mostrada três vezes no filme: no momento de luto, no momento de morte e no momento de luta. Na primeira vez que aparece, a reação instantânea na minha cabeça foi a de pensar em hóstia, ainda que eu jamais tenha experimentado uma. A imagem de Plínio (Wilson Rabelo), colocando a semente na boca das pessoas me levou para o campo da espiritualidade na hora. Demorei a entender que se tratava de um psicotrópico, mas não deixo de achar, até por não entender como oposto, que há uma alegoria com o sagrado. Tanto existe presença do divino na trama que no final, possivelmente em uma homenagem a cultura nordestina, Lia de Itamaracá surge como uma figura angelical, impedindo o grande antagonista de nos dar um final pouco gratificante.

 

O tema da morte, não do assassinato, mas da morte, aparece também de maneira tanto literal quanto metafórica. A imagem do caixão se repete algumas vezes no filme: primeiro um caixão sendo atropelado, completamente destroçado, depois o caixão transbordando água em uma viagem alucinógena de Teresa (Bárbara Colen) e no final do filme uma caminhonete carregada de caixões chega na cidade. O filme é poético até na forma de fazer críticas a um sistema praticamente genocida, que é o neoliberalismo. Talvez como uma forma de deslocar a ideia de perda de vidas de um lugar estatístico.

O luto e a temática da morte aparecem logo de início, no enterro da avó de Teresa, a personagem de Lia de Itamaracá. Em uma das cenas mais bonitas de Bacurau, a cidade inteira aparece velando a morte dessa senhora tão importante para todos que vivem ali. É uma sequência quase documental de cenas, que mostram perfeitamente as relações de fraternidade, afeto, carinho e família em cidades do interior, onde todos se conhecem e crescem juntos.

A força do povo também está intensamente presente neste momento, não apenas quando estão lutando juntos em guerra. Inclusive, as escolhas de esconderijos nos momentos de guerra também são minimamente elucidativas. A população se protege e se fortalece, escondida na escola e no museu histórico da cidade. Se não foi proposital, é pelo menos uma coincidência feliz.

 

Outra escolha marcante é a de Silvero Pereira no papel de Lunga: que espetáculo. Fiquei emocionada demais. Sou suspeita para falar pois virei fã de Silvero desde sua peça de teatro “BR Trans”. Esse homem é um acontecimento. A escolha de uma figura LGBT para atuar como o grande protetor de um povo, o herói da cidade, trazendo simbologias como a de Canudos e do Cangaço, me agrada demais. E é interessante justamente porque o personagem apresenta traços queer, ainda que se trate quase de um bom selvagem. Silvero dá um show de atuação com um personagem que emociona profundamente a todos os espectadores.

Por fim, a gente de Bacurau. Sônia Braga, Udo Kier e Silvero Pereira são figuras renomadas por seu talento, mas o resto do elenco também é excelente e basicamente composto por atores sem selo global ou “não-atores”. O uso de “não-atores”, além de dar muita vida, humanidade e verdade aos personagens, é muito positivo para a produção de cinema, que tem que trabalhar e incluir a cultura local como parte da composição final. É um debate que vem sendo levantado com o surgimento de ficções documentais e até mesmo acerca de restrições ao gênero documentário. Nos créditos, a nomeação de cada pessoa participante de cada equipe. Nunca pensei que fosse me emocionar com créditos na minha vida. Com eles, a mensagem final, mostrando que cinema é arte mas também é emprego e dignidade pras pessoas. Bacurau é ficção, mas certamente é realidade.

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