Amazônia em chamas


Incêndios, rios voadores e a importância da Amazônia no planeta

A Amazônia foi considerada, por muito tempo, o pulmão do mundo. Hoje, com essa hipótese já descartada, desdenhamos de sua importância e desaprendemos a respeitá-la, coisa que nós, os Homens modernos, talvez nunca tenhamos aprendido. A Amazônia já foi, e continua sendo, o lar de infinitas e diversas formas de vida. Hoje, pega fogo.

Há alguns anos, seguia-se a hipótese de que a Amazônia produziria a maior quantidade de oxigênio presente em nossa atmosfera, contribuindo para a manutenção da vida em todo o planeta, sendo então considerada o “Pulmão do Mundo”.

Agora, entende-se que a maior produção e contribuição de oxigênio da Terra vem de algumas espécies de algas marinhas. De fato, a Amazônia não é o pulmão, mas isso nem de longe significa que ela perde sua importância na manutenção dessa engrenagem que mantém o planeta girando. Você já ouviu falar dos Rios Voadores?

Produção de oxigênio no mundo:

Algas marinhas – 54,7%
Bosques e florestas – 24,9%
Estepes, campos e pastos – 9,1%
Áreas cultivadas – 8,0%
Algas de água doce – 0,3%

(dados da revista Super Interessante: https://super.abril.com.br/ciencia/a-amazonia)

 

Os rios que voam

Você já ouviu falar dos rios voadores? Sim, você não leu errado. Rios voadores. Milhares de gotas voadoras que juntas formam toneladas de água viajando pelo céu, bem em cima das nossas cabeças.

Esse fenômeno faz parte do ciclo d’água de toda a América Latina, promovido pela floresta, e está relacionado à absorção da água, tanto vinda dos oceanos, quanto dos lençóis freáticos, que estão contidos debaixo do solo, pelas incontáveis plantas e árvores amazônicas que depois lançam de volta no ar essa água em forma de vapor, que logo é carregado vento à fora.

Gráfico mostra o caminho realizado pelos rios voadores/Fonte: Projeto Rios Voadores. (clique na imagem para ampliar)

Estima-se que uma árvore média (de 10 à 20 metros de diâmetro) transporta, por dia, entre 300 e 1000 litros de água. O fato é que existem mais de 600 bilhões de árvores compondo a Amazônia. Através do suor de todas essas árvores, a cada dia a floresta produz e transporta quantidades absurdas de água, comparadas ao próprio rio Amazonas.

“[…] o Brasil teve, aproximadamente, 75 mil incêndios florestais, mais de 40 mil deles apenas na Amazônia.”

Essa enorme quantidade de água é então levada pelas correntes de vento que vem do Oceano Atlântico, até encontrar uma grande barreira: A Cordilheira dos Andes. É pelo choque com essas grandes montanhas que toda essa água percorre o continente, irrigando todo o nosso solo em direção ao sul.

Ou seja, se temos a enorme riqueza de nossos recursos naturais e se estes estão em abundância ou não para que possamos aproveitá-los, depende inteiramente da capacidade da Floresta Amazônica de nos trazer água. Sem este sistema super elaborado de irrigação, nossas plantações morreriam, nosso ar seria pior e mais poluído, a biodiversidade começaria a decair de forma assustadora, os rios iriam secar e, por consequência, perderíamos as barragens e hidrelétricas que nos provém água encanada, energia elétrica e, basicamente, tudo o que mais precisamos para viver.

 

Aumento das Queimadas

Desde o começo do ano até o momento em que escrevo, o Brasil teve, aproximadamente, 75 mil incêndios florestais, mais de 40 mil deles apenas na Amazônia. Estima-se que esse número é o maior dos últimos dez anos, tendo crescido somente em Agosto, absurdos 196%, se comparado com o do mesmo período de 2018.

O aumento das queimadas como forma de desmatamento na Amazônia vem se dando de acordo com as políticas do atual governo federal, de Jair Bolsonaro. Segundo recentes descobertas publicadas pelo The Intercept, que vazou alguns áudios contendo conversas do presidente, Bolsonaro estaria implementando um plano de exploração e povoamento da região amazônica que vem sendo arquitetado já há um bom tempo.

 

Reprodução The Intercept Brasil

 

Encabeçado pelo coronel reformado Raimundo Calderaro, que ainda sonha com os ideais de progresso da ditadura militar, o projeto Barão de Rio Branco foi apresentado em fevereiro deste ano e resgata a ideia de povoar a região Norte do país. A ideia é apresentar incentivos para empreendimentos que aumentem a participação de toda a área na geração do Produto Interno Bruto (PIB), pouco importando as consequências climáticas, ambientais, étnicas e sociais dessas ações.

A reportagem que denuncia os esquemas do presidente, publicada pelo The Intercept Brasil, lista alguns dos principais pontos do planejamento do governo bolsonarista que honram o desejo dos militares em dominar o território, contra a permanência dos povos indígenas e a demarcação de áreas de preservação:

1 – Industrialização
Aumento da infraestrutura local em busca de expandir o alcance do estado para a exploração dos terrenos e minérios encontrados na região.

Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

2 – Fronteiras sob controle
A preocupação com a chegada de imigrantes e uma paranoia sobre os interesses da China no Suriname, país fronteiriço ao Pará e Amapá.

3 – Colonização e Soberania
Busca incessante por uma soberania do estado brasileiro perante a Amazônia, descartando a soberania dos povos indígenas e quilombolas ali presentes. Aqui, assume-se o antigo lema da ditadura: “integrar para não entregar”.

4 – Do quartel ao gabinete
Partindo de um momento de crise, a desinformação provocada por Bolsonaro traça um bom cenário para que os militares cumpram seu objetivo: se reaproximar das posições governamentais.

Acompanhe a matéria na íntegra e entenda melhor como se estabelece a maior crise internacional do governo bolsonarista, até agora.

 

Realidade

A situação tá tensa. Não é a toa que o assunto tem gerado discussões, conflitos e mobilizações em todo o mundo. Recentemente, em um evento na Cúpula do Clima, da ONU, a ativista sueca de 16 anos, Greta Thunberg, realizou um discurso alertando aos governantes e à comunidade internacional sobre a necessidade de ações reparativas.

Seu discurso deu origem à um movimento de manifestações chamado “Fridays for Future” (em inglês, “sextas-feiras para o futuro”) e à uma chamada aos estudantes para a Greve pelo Clima, com a hashtag #GrevePeloClima ou, em inglês, #ClimateStrike, que já alcança milhares de pessoas ao redor do mundo.

Discurso da ativista Greta Thunberg na Cúpula do Clima, em Nova York

Abaixo, um trecho de uma reportagem realizada pela Globo e disposta no Portal G1:

“Um dos mais importantes climatologistas do Brasil, Carlos Nobre denuncia o risco de a Amazônia deixar de existir como nós a conhecemos se o desmatamento destruir pelo menos 20% da vegetação. Dados atualizados dão conta de que a destruição já alcança pelo menos 15% da floresta:

‘A Amazônia é a região com maior biodiversidade, maior número de espécies do planeta se encontra na Amazônia. Então, nós teríamos uma enorme perda de biodiversidade. A Amazônia armazena 100 bilhões a 120 bilhões de toneladas de carbono na sua biomassa, em cima da floresta, nos solos. Se isso for para a atmosfera praticamente aniquila qualquer possibilidade de nós atingirmos os objetivos do Acordo de Paris, de não deixarmos o planeta aquecer mais do que dois graus‘.”

E aí, percebendo a necessidade de mudança? Ao encarar essa realidade, não podemos esperar que as coisas se resolvam sozinhas. É importante agir. Não sabe o que fazer? Sem problemas! Dê uma pesquisada sobre as hashtags citadas, mantenha-se atualizado nas redes sociais e não esqueça de se movimentar!


Links que podem ser úteis:

Monitoramento de queimadas no Brasil, via satélite, em tempo integral.

http://queimadas.dgi.inpe.br/queimadas/portal-static/situacao-atual/

Plataformas do movimento de greves estudantis pelo clima.

https://pt.globalclimatestrike.net
https://www.climatestrike.net


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