ALEXANDRE LINO

Arte na pandemia – Filmes curtíssimos

Foi uma forma de respiro, de entender o que estava acontecendo com o mundo e comigo… Toda tragédia é pior quando anunciada. Já sabíamos que seríamos acometidos e ainda assim brincamos o carnaval. Fomos às ruas colocar a cara a tapa diante do vírus maldito. Eu também fui, mas saí correndo na primeira oportunidade e abandonei os amigos sem me despedir. Não queria ser o estraga prazeres, não queria lembrá-los que a COVID-19 estava na folia em meio a uma multidão que sorria como se não houvesse amanhã. Mas houve dias e meses intermináveis!

Depois desse momento, com meu trabalho paralisado no Teatro, Cinema e TV, o pânico começou a se instalar na tentativa de reinventar um cotidiano que não tinha a menor graça. Cadê as pessoas, minha família e minha arte? Todos os dias uma fome que não era saciada. Não houve escolha. Entre gritos, choros e lágrima apareceu uma luz no fim desse túnel. Parafraseando nosso gênio GLAUBER ROCHA: “Um celular na mão e uma ideia na cabeça” encontrei uma arma contra o medo da finitude que insistia bater a porta. Todos os dias…

Trilogia Instantes:

Durante um tempo que não sei quando começou ou terminou, me coloquei como objeto para observar o impacto dessa nova realidade na vida humana. Deixei a intuição fluir e, entres falas e silêncios, desenhei 15 FILMES CURTÍSSIMOS como experimento para poder dialogar comigo e com o mundo. Não havia pretensão, não havia nada, mas existia muita dor…

Uma dor que foi sendo aliviada pela ARTE e por encontros com pessoas que também estavam se experimentando e assim sobrevivendo. Agora é esperar e acreditar que o pior já passou. Será?

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