CRÔNICAS DA QUARENTENA

NOVEMBRO

No início, antes de sequer esse nome existir, não sabíamos bem aonde o Crônicas da Quarentena iria nos levar. A ideia veio como uma faísca ou talvez uma interrogação. Com tudo o que se passou nesses últimos meses (convenhamos, um ano praticamente) nós da TREVOUS, cada um do seu jeito, sentimos muitas coisas, uma mistura confusa de sentimentos e emoções. Desse estranho sentir, tão indefinido e inominável, nascido de uma desafiadora realidade, surgiu uma pergunta “será que todos também estão assim? Como será que eles estão lidando com isso? Essa coisa?”

Mas o tempo foi passando, as pessoas — pelo menos aquelas do nosso limitado raio de alcance — foram, de um jeito ou de outro, se adaptando a nova realidade. O que antes eram conversas e trocas em bares, corredores, cômodos, praças, ruas, elevadores — o mundo — foi reduzido a telas. Já vivíamos — pelo menos os mais privilegiados de nós — em um mundo híbrido, meio virtual meio real. Mas com a pandemia isso de alguma forma mudou. Agora surgiam duvidas como “o que significa ser obrigado a ficar confinado ao digital?” Ou “como é experimentar esse novo novo mundo?” Mais especificamente para nós artistas que trabalhamos com cinema, teatro, música… Formas de arte que pressupõe um trabalho coletivo, que precisam de público, que dependem da “aglomeração” para existir. Como lidar com todas essas impossibilidades? Assim, da inquietação surgiu a ideia.

Nos demos conta que pequenos experimentos, tentativas de se auto entender em meio ao caos, e novas maneiras de fazer cinema pipocavam aqui e ali: em redes sociais, em festivais ou em oficinas on-line. Então, constatamos o óbvio: não estávamos sós em nossas angústias. Foi numa reunião de criação — dizem por aí, uma das reuniões mais divertidas — que a ideia, algo tão leve e impalpável quanto o ar, foi apresentada e foi tomando forma.

O que se seguirá nesses próximos meses, foi resultado de muito esforço. Nosso e dos diversos artistas que criaram seus curtas, que todo sábado você poderão assistir. Junto dos filmes, vocês poderão ler textos dos autores contando um pouco sobre seus diferentes processos criativos. Assim, por meio de palavras, imagens e sons vocês poderão ter contato com tantas percepções e vozes diferentes, que por mais adverso que tenha sido esse momento, continuaram a criar. Esperamos que vocês gostem.

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