El Camino – do cativeiro à liberdade


Filme de Breaking Bad traz a jornada de Jesse Pinkman

Feitos seis anos desde que Felina, episódio final da famosa série Breaking Bad foi ao ar, somos presenteados por mais uma parte da história, até então oculta aos fãs. Lançado pela Netflix, em co-produção com a emissora norte americana AMC, o filme se propõe como uma continuação dos últimos momentos da série, retratando o que acontece com Jesse Pinkman (Aaron Paul), após ser resgatado por Walter White (Bryan Cranston) no capítulo que encerra sua estória. Até então.

[SPOILER ALERT!]

Se você não terminou de assistir a série, ou ainda nem começou, prossiga até a SPOILER FREE ZONE para que você possa continuar sua leitura em segurança. Afim de ver um pouco antes da leitura? A série inteira se encontra disponível na Netflix e você pode assistir aqui!

Jesse Pinkman (Aaron Paul) no carro, enquanto deixa Walter White (Bryan Cranston).

 

Com a mesma angústia que o seriado termina, o filme começa. Após meses preso em cativeiro pelas mãos de uma gangue neo-nazista, Jesse é salvo por Walter White, que consegue libertá-lo, mas acaba morrendo por isso. Agora sem seu mentor, a personagem de Aaron precisa buscar uma forma de sobreviver sozinho, na tentativa de resgatar a vida que lhe foi tomada.

Jesse Pinkman em seus últimos momentos de Breaking Bad, logo após se libertar

 

Traumatizado pelos meses de tortura e trabalho forçado, o Jesse Pinkman que encontramos está mais cru do que nunca. Com o objetivo de encontrar paz e se recompor das consequências de uma vida que não gostaria de ter tido, e procurado pela polícia, ele se vê lutando para se manter fora do radar. Ao sair de seu papel secundário, imposto pela presença de Walter, o protagonista da vez toma as rédeas de sua própria história e enfrenta demônios internos e externos enquanto repensa toda a caminhada que o levou até ali. Tudo o que ganhou e o que deixou para trás.

Jesse Pinkman, de cabeça raspada, em sua jornada durante El Camino

 

Durante todo o filme, o roteirista e diretor Vince Gilligan brinca com as diversas semelhanças e diferenças entre o Sr. White e seu aprendiz rebelde. Em um desses momentos, vemos Jesse raspando a cabeça como forma de se recompor. Esse ato, extremamente sutil, nos revela muito mais do que sua nova aparência. É de cabeça raspada que ele se sente pronto para seguir seu caminho em direção ao destino uma vez escolhido por seu antecessor: a imensidão solitária do Alaska. Nessa trajetória, fica claro que, não importa pelo que tenha passado, ou quão parecidos possam ser, Jesse jamais se transformará em Heisenberg.

Jesse Pinkman e Heisenberg (pseudônimo assumido por Walter White)

 

[SPOILER FREE ZONE]

Para além da manutenção de uma linguagem cinematográfica que já distinguia Breaking Bad de praticamente qualquer outro produto televisivo, a obra traz uma continuação sem qualquer defeito – o que é realmente impressionante. Mesmo com o intervalo de seis anos desde o ocorrido retratado, a equipe de continuidade dá um banho em qualquer sequência com a qual possamos comparar.

Intitulado “El Camino: A Breaking Bad film”, o filme cobre um campo de visão anteriormente inacessível para quem acompanhava a série. Se liga no trailer!

 

Em “A estrada de El Camino – Bastidores de El Camino: A Breaking Bad film” (título nem um pouco longo), também disponível na Netflix, somos apresentados à toda a equipe que participou da produção do filme, assim como a todos os desafios que tiveram de ser ultrapassados.

 

Entre todo o trabalho que a equipe enfrentou, é importante ressaltar alguns pontos-chave que fazem de El Camino uma obra bem-sucedida em todas as suas pretensões:

 

Trabalho em equipe

Uma curiosidade que, com certeza, contribuiu muito para um trabalho em sincronia, é que a produção contou, basicamente, com as mesmas pessoas que já faziam parte da construção do universo de Breaking Bad. Por já ter repetido a equipe na obra original e em Better Call Saul, spin-off da série, o diretor pôde organizá-la de forma orgânica, garantindo o entrosamento pessoal e profissional dentro do set.

Continuidade

Além da reconstrução de todos os cenários com os posicionamentos idênticos àqueles com os quais somos deixados anos atrás, a equipe da figurinista Louise Frogley também teve um grande trabalho. Para manter a fidelidade aos acontecimentos da série e manter o espectador dentro do mundo de Jesse, foi necessária a reconstituição de roupas que, em muitos casos, nem existem mais. O Making of mostra como a equipe teve de misturar diferentes modelos de roupas atuais para recriar aquelas usadas pela personagem, tanto em seus momentos de fuga, quanto nos flashbacks que nos introduzem à experiência de Pinkman durante os meses em que esteve preso.

Fotografia

Outro ponto importante de ser mencionado é a excelência da direção de fotografia. Assim como na série, que mantém um alto nível na qualidade de suas composições, o trabalho do fotógrafo Marshall Adams no filme não deixa a desejar. Ângulo, movimentação, iluminação, fotometria e construção da mise en scène, trabalhada em conjunto com a direção de arte, ajudam a formar o mundo em que imergimos para acompanhar Jesse em busca de sua liberdade.

Transmitindo os sentimentos e as sensações de Pinkman, esses elementos combinados são muito bem trabalhados para que o espectador aproxime-se cada vez mais da realidade experienciada pelo protagonista. Ao assistir El Camino, podemos dizer, sem medo de errar, que aqui está um produto audiovisual que soube realmente fazer bom uso da linguagem cinematográfica.

 

Todd e Lydia (Madrigal) eternizados em globo de neve

 

Production Design (Direção de Arte)

Por último, mas não menos importante, temos o trabalho minucioso e dedicado da equipe de arte, que construiu desde objetos cênicos e detalhes da cenografia, até cenários inteiros. Liderados pela diretora Judy Rhee, os profissionais tiveram, definitivamente, um dos maiores desafios de toda a produção. Podemos perceber os melhores exemplos desse trabalho na cena do apartamento de Todd Alquist (Jesse Plemons), onde as duas situações ocorrem. Em entrevista exclusiva à Casa Vogue, Rhee fala um pouco sobre todos esses desafios. Confira o conteúdo na íntegra aqui!

Ainda na casa de Todd, encontramos um grande elemento narrativo de Breaking Bad: o próprio cenário, que é apresentado em camadas para demonstrar a profundidade da perturbação que jaz na mente do vilão nazista. Percebemos também que ali que se estabelecem alguns dos maiores easter eggs do filme. O site da revista Super Interessante traz 9 referências escondidas em pequenos detalhes e grandes cenários, que provavelmente passaram despercebidos por olhos desatentos. Os níveis são muitos. Dá uma olhada!

 

Jane Margolis (Krysten Ritter) e Jesse Pinkman

 

Se você ainda não conseguiu parar para ver o filme, ou quer revê-lo depois de toda essa informação, pode encontrá-lo na Netflix ou através das transmissões da AMC. Se prepare, preste atenção e clique aqui para assistir!

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