Meu Carnaval em Portlandia


Portlandia, “onde o sonho dos anos 90 está vivo”, é a boa nova do mundo televisivo alternativo. (Digo isso e não tenho uma tv em casa há mais de dez anos. E não estou aqui pra fazer propaganda, abro uma exceção aqui e agora). Quem tem internet e uma telinha de 13 polegadas, como eu, já se sente o dono o mundo, quando consegue baixar aquele filme, aquele pacote de episódios que vão fazer a cabeça por uns dias. Sim, esses dias eu me permiti simplesmente deitar na cama e assistir a um, dois, três episódios por noite.

Cheguei a Portlandia por acaso. Estava conferindo os vídeos do site do New York Times, sem nenhum propósito, além de saber do mundo. Foi ainda outro dia. E hoje, duas semanas corridas, cheguei ao sexto e último episódio da segunda temporada, já torcendo pela terceira. É que a série é nova mesmo e vamos ter que aguardar rodarem os próximos números.

A série satiriza o povo cool, hipster, que não dá só em Portland, Oregon, é fenômeno global. Os indies, os vegetarianos, os djs, os consumidores de filmes obscuros… jogue a primeira pedra se não conhecer algum, ou se você mesmo não for um deles. O casal de amigos Carrie Bronstein (guitarrista do Sleater Kinney) e Fred Armisen (já comediante conhecido no Saturday Night Live) se juntou para interpretar um bando de figuras conhecidas de todos nós, moradores de qualquer capital do mundo. Quantas vezes me vi retratada ali, sem saber se ria ou se me revoltava. O fato é que as situações são levadas de uma maneira leve até o nível do ridículo, sem você perceber. E, ofensas à parte, rir de si mesmo é uma prática saudável.

Nunca estive nos EUA pra conferir, mas posso dizer que Portland serve de microcosmo dos arquétipos urbanos modernos. Em uma dúzia de sketches por programa, eles dois interpretam a si e a inúmeros personagens que vão e voltam ao longo da temporada. Também convidam estrelas do cinema ou da música para pequenas e excelentes participações. Às vezes  relembro a dupla Regina Casé e Luis Fernando Guimarães em tempos felizes, do Programa Legal. Não faltava uma novidade dos subúrbios cariocas que este casal não interpretasse tão bem, com  altíssimas doses de humor e crítica social. Graças ao youtube a gente pode matar a saudade deles.

No caso de Portlandia, digamos que o público alvo é restrito a uma classe jovem, que foge das convenções sociais, idealiza uma vida saudável, fora das megalópoles, que ouve bandas independentes e sonha com a substituição dos automóveis pelas bicicletas. Se você se identifica com este público, vai curtir a sua caricatura também. E por isso Portlandia talvez não atinja um número fenomenal de expectadores, mas veio pra despertar o hispter que existe dentro de você.

Em tempo I: eu também amo Seinfeld. Em tempo II: na Holanda mal se sabe o que é carnaval; não tem feriado, nem festa na maior parte do país. Penso que seja resultado da mistura cristã-reformada-judaica-muçulmana, que aconteceu por aqui desde há cinco séculos atrás. Interessante.

Portlandia bicycle rights
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