Só o Sylvester Stallone Pode nos Salvar


Ilustradora convidada: Helena Coelho

Ele tem questões mal resolvidas com seu passado. Talvez um filho que lhe foi tirado. Talvez uma mulher que foi assassinada. A vida o fez implacável, durão e um tanto rude. Ele não costuma ter muitas falas e muito menos ser agradável com os outros. Nas primeiras cenas, fica bem claro para os telespectadores a seriedade com que ele leva a vida. Entretanto, depois de alguns minutos de filme, surge um problema. Qualquer força exterior o obriga a embarcar numa missão. Matar alguém. Recuperar o dinheiro de um traficante. Prender um traficante. Algo desse gênero.

A jornada na qual ele embarca é recheada de tiros e explosões. Os carros de luxo e as mulheres hipersexualizadas são alguns dos adereços que servem como auxílio para que o herói resolva o que o roteiro do filme lhe propôs. As armas com munição infinita também — ele quase nunca erra um tiro.

Assim, depois de perder algum parceiro durante a jornada (provavelmente aquele que era o alívio cômico da trama e, mais provável ainda, que ele era negro: Hollywood é o racismo disfarçado em forma de roteiros) e quase morrer duas vezes, o herói consegue resolver os problemas da trama e voltar para o início do filme. Só que com lições que fazem ele evoluir e sanar as questões internas que possuía devido ao seu passado obscuro.

Agora, vem cá. De que filme estou falando?

Com certeza passou na sua cabeça: Jack Bauer, Arnold Schwa(não sei o sobrenome), Sylvester Stallone, Jet Lee e tantos outros que se encaixam nessa sinopse de filme. E sabe qual o pior? Qualquer um estaria certo. Esses filmes de ação são compostos basicamente pela mesma fórmula e apenas pequenos detalhes são alterados de um para o outro. Pois, assim, pode haver uma perpetuação deles nas telas de cinema.

No início do século XX, Henry Ford revolucionou o mundo com um novo sistema de produção que focava no consumo em massa e em produzir o máximo de carros no menor espaço de tempo possível. Essa técnica foi chamada de Fordismo e gerou inúmeros problemas para os trabalhadores daquela época, que faziam apenas uma função durante toda sua vida na empresa. Se você não acha que isso é um problema, confira Tempos Modernos (não a música do Lulu Santos, o filme do Charles Chaplin).

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Ilustradora convidada:

Helena Coelho

Helena é designer, ilustradora e estudante de animação e seu maior objetivo é contar histórias por meio de imagens. Nascida e criada no Rio de Janeiro, é apaixonada por tudo relacionado às artes gráficas e em movimento.

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