Retrospectiva Petter Baiestorf e o elogio ao mau gosto


MAM do Rio realiza uma retrospectiva da carreira de Petter Baiestorf

Os filmes que compõem a “Retrospectiva Petter Baiestorf” não deveriam ser assistidos por Ninguém, uma vez que Ninguém deve morrer. Então, caso você, que está lendo este texto, não se denomine Ninguém, nem se envolva diretamente com alguém que se identifique como Ninguém, recomento que assista aos curtas, médias, longas e (até) videoclipes de Baiestorf exibidos, de forma tanto digital quanto presencial, pelo MAM do Rio de Janeiro.

Petter Baiestorf em primeiro plano conversa com o operdor de câmera ao seu lado. No segundo plano, um homem careca observa os dois, com um celular em uma mão, fones de ouvido e uma das mãos a cintura.
Petter Baiestorf em ação

Mas antes de mais nada: quem diabos é Petter Baiestorf? Petter é um diretor vindo direto do subterrâneo do cinema nacional, criador da Canibal Filmes e nascido em Palmitos, Santa Catarina — cidadezinha que, sem dúvida, deve muito se orgulhar de suas obras feias, sujas, mal acabadas, blasfemas, escatológicas, pornográficas etc. Inspirado em nomes como Roger Corman, John Waters, José Mojica Marins, Sganzerla e Ivan Cardoso, Baiestorf cria um cinema anticinema cheio de energia e que tudo devora. Na verdade, para entender um pouco mais sobre sua estética e obra recomendo leiam este texto de Carlos Primati.

Um rosto de um homem visto lateralmente grita para o alto. O fundo do pôster é vermelho e as letras amarelas são em uma fonte bem "toscas".

Em primeiro plano, metade do corpo de Ninguém, personagem do filme. No segundo plano um homem meio desfocado está vestindo uma roupa feminina e uma máscara bem colorida. O fundo é preto e as letras que compõem o poster são vermelhas com o título do filme contendo uma estilização.

Pôsteres de “Ninguém Deve Morrer”

Voltemos a Retrospectiva. Na mostra você poderá assistir a pérolas do deboche como “Ninguém Deve Morrer” (2009), uma paródia aos faroestes e derivados — incluo aqui “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1968) de Glauber, que têm algumas de suas cenas reimaginadas por Petter Baiestorf.

Poster de "O Monstro Legume do Espaço" que remete aos antigos filmes de ficção científica dos anos 50. Abaixo do título do filme feito com fontes que lembram uma colagem, há o monstro do filme, um homem com uma maquiagem muito pesada , praticamente uma máscara, verde. O monstro usa uma blusa de manga longa pretas e mãos vermelhas. Ao redor deste ser há fotos daquilo que parecem ser suas vítimas e uma foto perdida de algo que parece a Morte bem distante e em corpo inteiro, na imagem a morte segura uma foice para o alto.
Pôster de “O Monstro Legume do Espaço”
Uma imagem do de parte do monstro, vemos quase seu rosto inteiro, parte de seu torso e uma de suas mãos que segura um chimarrão que ele bebe por meio de um canudo. A imagem parece ser uma foto editada dando um efeito pixelado. O fundo é vermelho e as letras presente no pôster são amarelas.
Pôster de “O Monstro Legume do Espaço 2”

Na retrospectiva você também encontrará os longas “O Monstro Legume do Espaço” (1995) e “O Monstro Legume do Espaço 2” (2006), uma bad trip, repleta de tosqueira e chorume, ao imaginário dos antigos filmes B de ficção científica dos anos 50. Aliás, você pode saber um pouco mais sobre o primeiro filme neste texto de Beatriz Saldanha.

Uma foto de bastidores de Pazucus: A Ilha Do Desarrego, em que alguém colocando uma gosma esverdeada na boca de uma ator, que está agachado em um rio ou lago. Ao fundo, na margem do Rio ou lago há plantas que nos remetem a uma floresta.
Cena dos bastidores de “Pazucus: A Ilha Do Desarrego”

Mas não só de filmes do cineasta catarinense a “Retrospectiva Petter Baiestorf” vive, podemos também assistir obras realizadas por colaboradores e pessoas próximas, como é o caso do “A Nau dos Loucos: Mergulho e Decolagem de Pazucus” (2021) documentário de Gurcius Gewdner, que mostra os bastidores de seu filme “Pazucus: A Ilha Do Desarrego” (2017). Ou você também pode assistir ao Interessante “Relembre da Carne” (2001) de Coffin Souza. Ou ainda o, surpreendentemente bem acabado, “Amor Sangue Dor” (2021) de Magnum Borini.

Uma foto de Petter Baiestorf ao lado do "monstro legume do espaço". Ao fundo pôsteres que remetem ao cinema de horror, entre eles há um pôster do Godzilla com cores entre o laranja, vermelho e amarelo.
Petter e uma de suas criaturas

Agora, corram para conhecer a obra deste iconoclasta. Vão! Não pensem, pois a A “Retrospectiva Petter Baiestorf” vai até o dia 5 de dezembro. Depois, se for o caso, vocês terão tempo de sobra para me amaldiçoar por eu ter feito vocês verem coisas que nunca mais poderão ser desvistas. Os filmes podem ser assistidos no Vimeo do museu e presencialmente na Cinemateca do MAM. Para saber mais acesse a página do evento.

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