A “Nova” Onda dos Podcasts


Em meio a uma realidade enclausurada, ascende um formato de conteúdo que domina as redes

Quando se estuda moda, você aprende que ela é cíclica. Ou seja, se renova de tempos em tempos, reformulando e trazendo de volta tendências antigas. É curioso pensar que, em uma era tão digital, com produções de conteúdo aos borbotões, o formato do podcast, que não mais é do que um programa de rádio feito para a internet, tenha tido um movimento de retorno com força total, especialmente no último ano de pandemia.

Já há algum tempo, o formato vem aparecendo no mainstream. Não é à toa que o Spotify e outros streamings de música tenham uma interface bem desenvolvida para servir como plataforma para esse tipo de conteúdo. Mas agora, além de ouvir podcasts, surge no Brasil — com influência direta dos EUA, onde a “cultura podcaster” já é bem maior e amplamente difundida — uma nova tendência: assistir podcasts. O que dá ao programa de rádio uma nova roupagem com uma camada visual.

Programas como o Podpah e o Flow Podcast (e todos os outros canais abarcados pelo Flow), têm influência direta da cultura americana de podcasts, como o programa do comediante Joe Rogan — que é referência direta para ambos. Basicamente, trata-se de um programa de entrevistas onde se há maior liberdade para falar sobre diversos assuntos e tratar de variadas questões, pois não existem tantas restrições relacionadas à emissoras ou outros tipos de grandes veículos que tradicionalmente realizavam esse tipo de conteúdo (entrevistas e debates).

Entrevista de Elon Musk para Joe Rogan

No caso desses programas, normalmente o conteúdo é consumido ao vivo, em plataformas como a Twitch ou o próprio Youtube, que chegam a alcançar milhares de espectadores — podendo atingir um público ainda maior, já que os episódios ficam disponíveis após a transmissão. O Podpah chegou a fazer uma “maratona” de entrevistas, onde ficaram 24 horas no ar, passando por mais de 10 convidados, que também participavam das entrevistas uns dos outros. Até durante a madrugada eles conseguiram manter uma audiência de mais de trinta mil pessoas.

Primeira parte da maratona de entrevistas

É possível observar a importância que esses programas tomaram na grande mídia, a partir da presença de figuras políticas em períodos eleitorais. Os podcasts alcançam um público jovem tão amplo, que se tornou interessante aos políticos irem apresentar suas campanhas nos programas. Em 2020, todos os candidatos a prefeitura de São Paulo participaram do Flow Podcast.

Entrevista de Guilherme Boulos para o Flow Podcast

Mas o universo dos podcasts não se restringe a programas de entrevistas. Aliás, muito podcasters preferem continuar apenas no bom e velho formato de aúdio. Existem podcasts que discutem política, podcasts de comédia, de contação de história, ao vivo ou gravados… Uma infinidade de possibilidades ao gosto do freguês. O “Pura Neurose”, de Ronald Rios, por exemplo, tem um formato clássico de programa de rádio com discussões de amenidades do dia-a-dia, um locutor carismático e até inserções de áudio. Tudo isso feito ao vivo, diariamente, como um bom radialista do povo. Já o “Respondendo em Voz Alta”, de Laurinha Lero, ou o “Não Inviabilize”, de Déia Freitas, são programas de comédia, gravados e editados, com uma frequência um pouco mais espaçada.

Capa do podcast de Ronald Rios no Spotify

Capa do podcast de Laurinha Lero no Spotify

Vale a pena se aventurar nesse imenso leque de opções e procurar um programa ideal para se ouvir lavando uma louça, tomando um banho ou — nesse momento — apenas contemplando a realidade do enclausuramento. Em tempos de pandemia, o que nos resta é ficar em casa ouvindo ou assistindo umpodcast.

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