Crônicas da Quarentena:


O ISOLAMENTO DO PROCESSO

Imaginem por um momento um náufrago, que preso em uma ilha deserta, lança ao mar infinito mensagens em garrafas. O que esse indivíduo busca? Salvação ou apenas um motivo para ter esperança? Sobre as motivações dessa figura imaginária nada se pode dizer. No entanto, nós do TREVOUS sabemos que algo desse quadro se conecta com o nosso novo projeto “Crônicas da Quarentena: O Isolamento do Processo”. Logo logo começará a rolar, já que há algum tempo as engrenagens estão girando.

A ideia do “Crônicas”, surgiu em meio a esse momento traumático, onde estamos acuados tanto pela pandemia quanto pelo caos político. Mas mesmo vivendo esses tempos tão estranhos, tão loucos, tão surreais, há aqueles que ainda insistem, contra todas as possibilidades, a prosseguir. Como a história já nos mostrou uma e outra vez que nenhuma crise foi capaz de apagar o desejo humano pela vida e pelo exprimir que, dentre outras formas de manifestações, pode se concretizar no fazer artístico. Sim, há ainda uma, ou melhor muitas, chamas a brilhar em meio as sombras que nos cercam.

Mas obviamente, a arte tem mil formas e faces, e nós do TREVOUS não seriamos, no momento, capazes de abraçar a todas. Por isso, pelo amor compartilhado que todos sentimos pela 7ª arte — o nosso próprio “norvana” —, optamos por no universo do audiovisual. Assim, por meio de mensagens, não em garrafas, mas por Whatsapp, e-mail e afins; convidamos cineastas amadores e profissionais para que, em um voto de confiança, não só nos enviassem alguns trabalhos e experiências gerados em plena quarentena, como também compartilhassem, em forma de texto, um pouco dos seus processos de criação, para que nós pudéssemos compartilhar com vocês. Não podemos negar que todos ficamos muito surpresos e felizes com o quanto as pessoas — algumas que nem conhecíamos — abraçaram a ideia. Isso foi realmente muito estimulante.

Por isso agradecemos, não só por terem encontrado nossas mensagens flutuantes, ou por terem depositado tanta confiança em nós, mas sobretudo por nos mostrar que o medo e o horror não são suficientes para deter essa vontade por criar, por se expressar e por viver. Aqueles que não estão inteirados não se preocupem. Neste sábado, dia 07, vocês poderão testemunhar com seus próprios olhos. Assim, esperamos que tanto os que embarcaram nessa nossa viagem, talvez um tanto megalomaníaca, e aqueles que estarão dispostos a acompanhar aos sábados, semana a semana, a exposição desses curtas e processos, gostem o resultado final. No fim, temos esperança que com o “Crônicas da Quarentena” mostrar que esse mar infinito que insiste em nos distanciar, talvez não seja tão infinito assim.

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