ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS


Um conto erótico surrealista, uma aventura lasciva e excitante

Às vezes parece que não vai dar mais. O país parece só saber acumular cadáveres. É tudo morte e guerra. Todes estão tentando desesperadamente construir entre quatro paredes o seu próprio mundo, sua pequena pátria. Tentando costurar os sonhos nas mãos cansadas e nas lágrimas. Em casas abarrotadas de gente, tenta-se construir paredes de privacidade. Nos apartamentos pequenos e apertados, tenta-se criar janelas e companhias flutuantes que dão beijos e fortes abraços. Mas nem sempre as cabeças fodidas de desgraça conseguem sustentar esse mundo paralelo, muito menos por tanto tempo. A tristeza apodrece as fantasias e tudo é apenas o que é. Você está cansade de ser apenas o que é e de ver só o que está no seu entorno. O cômodo, a ausência, o barulho dos carros, a falta de carinho, o lixo na internet, a goteira no teto do lado da porta. Nunca mais encontrou ninguém e esse “nunca” é tanto tempo que você sente que está perdendo a capacidade de imaginar alguém e poder se tocar com essa ideia, com essa criação mental de pessoa que lhe encontra e lhe beija e lhe diz sacanagens.

Nesse dia, você deita embaixo dos lençóis e tenta outra vez se excitar com algum vestígio de memória, mas tudo está contaminado pelo mundo podre que vivemos, com o fracasso dos sonhos, com a incompatibilidade das bocas, com o perigo de existir. Frustrade, você estava prestes a desistir completamente de tudo. Ia queimar todos os seus livros, tirar a máscara e se atirar no asfalto, torcer pra ser atropelade por um carro, ou por beijar uma negacionista nos lábios, ou outros tipos incontáveis de mortes possíveis hoje, quando — no mesmo instante desses pensamentos obscenos — ouviu um estrondo forte perto da parede. Todo e qualquer barulho atualmente é motivo de correr pra perto. Sempre pode ser que algo aconteça e – mesmo que por segundos antes pensasse em morrer — você e todo mundo sempre quer desesperadamente ver acontecer algo. Então correu na direção do estrondo e percebeu um rombo no chão ao lado da sua estante improvisada. “Pronto”, pensou, “agora a casa vai começar a desabar”. Você se irritou, tentou olhar pelo buraco, mas era muito escuro e fundo. “Não é possível ter simplesmente aberto assim do nada, não é um país de terremotos ou coisas do tipo”, mas o buraco era inegável. Você ficou nessa pose de incredulidade diante do rombo. Até que a ideia mais louca lhe ocorreu: “Se tudo estava tão fodido, por que não pular logo?”. Mas o corpo permaneceu imóvel, recusando aquele pensamento. Então do buraco alguém gritou: “Morre nada, bem. Aproveita antes que seja tarde.” A voz era aguda e engraçada. Você meteu a cara tentando ver, mas era impossível. A segunda ideia mais louca lhe ocorreu: “Pular e não morrer”. E pulou.

Primeiro, mas muito brevemente, houve um desespero. E se cair e rachar o crânio no chão? E se cair no magma e morrer a morte lenta do fogo? Mas logo se acalmou. A queda era longa demais pra conseguir sustentar o pavor. Cair parecia mais como demorar no ar. O buraco que antes era apenas escuro, agora parecia ganhar cores diferentes e ouvia-se um relógio alto batendo cada vez mais perto. Tinha a sensação de ver alguns objetos subindo enquanto descia, um mapa, um vaso de plantas, um gato de pelúcia, um estetoscópio, uma pá. Um sino forte começou a soar e os seus pés finalmente tocaram gentilmente o chão. Uma rajada de vento jogou contra seu rosto uma enorme calcinha vermelha. Tinha cheiro de rosas. Você segurou ela por um tempo nas mãos. “Aonde estou?”. Tentou perguntar por alguém, chamar aquela voz aguda, mas havia apenas o soar incessante do relógio. Na sua frente havia um enorme corredor torto e íngreme. Você seguiu. Mais a frente uma cueca enorme e igualmente cheirosa. “Quem vive aqui?”. Começou a pensar que podia estar entrando na casa de alguém, alguém que vivia abaixo do seu mundo, no subterrâneo. Em alguns lugares da Europa, isso acontece, você já tinha visto num programa de tv. Andou e andou e no caminho peças e mais peças íntimas vermelhas iam surgindo. Calcinhas fio dental, largas, cintura alta, finas com zíper, ou cuecas justas, boxer, samba-canção, sungão, de renda, de seda, de algodão. Chegou finalmente em uma porta muito pequena. A maçaneta era uma boca. Você tenta apertá-la, ela solta um grito e a boca dispara: “Que porra é essa? Nem me conhece e me mete os dedos nos dentes? Cadê a cortesia? Quem és tu? Que estupidez”. Você se afasta assustade“. Eu sou uma boca, sim, mas eu curto um romance, um xaveco, uma linguinha aqui e ali, palavras bonitas”, continua a boca-maçaneta. “Como atravessar uma boca?” você pensa. Nunca foi muito promissore no cortejo de ninguém e já não usa da sua lábia há muito tempo. Ficou sentade diante da porta no meio das várias roupas íntimas. Pensou em vestir uma delas e desfilar, mas era uma boca, droga. Não tinha olhos. Você tenta começar: “É… bem. Seus lábios são tão bonitos. Seus dentes, também. Quero te dar um beijo”. A boca responde: “ Ó que idota, tens que fazer tudo só? Use o poeta. Que mania de ser original”. Você não entende, mas quando olha em volta, no outro canto da sala, surge uma pessoa – como que caída do céu – cercada de milhares de livros. Se aproxima, é um homem, rosto abatido, no pescoço uma placa onde se lê: POETA. “Com licença”, você diz cheie de timidez, “Eu queria lhe pedir…”. O poeta tira os olhos dos papéis e abre um sorriso: “Quer me usar?”. Você diz que sim. O poeta se levanta entusiasmado. Vocês caminham de mãos dadas até a maçaneta-boca. Você fica um tempo parade sem saber como começar. O poeta se aproxima, cola a boca na sua orelha e começa a sussurrar sonetos. Você os repete, como se fossem seus. A boca começa a gemer. “ Ai, ai. Sim, sim! Me dê mais! Eu o amo! Me dê um beijo!” Você pergunta baixinho ao poeta: “Vocês são um casal?”. O poeta ri e volta aos seus livros. A boca continua a pedir. Você abaixa e beija a maçaneta. Sua língua dentro dela parece encaixar. Escuta o click. A porta se abre. A maçaneta-boca torna a gritar: “Ei, poeta! Ei, poeta! Por favor! Me dê!”.

Você a ignora e, com dificuldade, atravessa a porta apertada que dá em uma enorme praia. O mar, no entanto, tem uma cor púrpura. E a praia dá num enorme jardim com cercas feitas de bambu. As ondas arrebentam na areia e você parece escutar uma conversa como alguém que diz: “Eu vou, hein! Eu vou!” e outra pessoa que responde: “Estou pronta! Estou pronta!” e então shuá shuá. Mas não há ninguém na praia. Você segue na direção do jardim. Quase no fim da praia, outra vez escuta vozes, mas agora vindo do chão. Você se abaixa, procurando. Vê dúzias de conchas, abrindo e fechando. Uma delas grita: “Tô atolada, eu tô atolada!”. Você quer ajudar, sente uma estranha simpatia. Tem algo de desesperado na voz. Você pega a concha em suas mãos gentilmente, traz ela pra perto do seu rosto. Percebe os olhinhos e a boca. Ela pisca pra você, maliciosa: “Quer me enterrar na areia, quer?” e belisca sua pele. Você a solta, assustade. Corre pro jardim. Todas as coisas parecem desejar algo. Isso dá medo.

Atravessa as grades de bambu, o jardim é gigante, mas organizado. Tem flores de todos os tamanhos, inclusive maiores que você. Tudo é podado e carinhosamente cuidado, você vê pelas formas dos arbustos, pela pequena estrada de terra limpa e brilhante. No entanto, quanto mais você entra, mais percebe que as flores e os arbustos têm algo de diferente, de particular. Parecem paus e bucetas de todos os tamanhos e tipos. Você começa a olhar, intrigade. Vê picas e pirocas de folhas robustas, xanas e xoxotas de pétalas e espinhos, caralhinhos, xerecas, bingolins, pupucas, bigorrilhos, vulvas, rolas e pererecas. É encantador e um pouco excitante. Todas se sacodem com a brisa leve, se roçam. Algumas parecem entrelaçar raízes e caules. Você sente as palmas suarem. Não se aguenta, quer tocá-las, prová-las. Se aproxima de uma benga bonita que roça a coroa entre as pétalas de uma perseguida. Quando toca com a ponta dos dedos na benga, a perseguida fala: “Ei! Que isso? Te conheço? Sai tocando assim nos outros?”. Você fica envergonhade, tenta se defender: “Achei vocês tão fascinantes”. A perseguida continua: “Que tipo de flor esdrúxula é você? Nesse jardim, tem que se inscrever e esperar na fila pra poder sair roçando. É organizado e normalmente só quem nos toca é a Rainha. E ela lhe mata.” E todas as outras flores ecoaram rindo: “Ela lhe mata! Lhe mata!”. Você ainda está excitade, tem dificuldade de entender o que falam de tão deslumbrade que fica com suas formas, mas sai correndo. A morte sempre parece nos dar vontade de correr. Quando chega ao final do jardim, as xavascas e jebas ficam pra trás, e diante de você um enorme castelo se revela. Torres e mais torres, portas e vidraças com vitrais coloridos. Vê cartas gigantes andando de um lado para o outro, bebem vinho, se empurram, depois cantam marchas militares. Tem cartas do baralho tradicional, copas, ouros, espadas e paus. Mas tem também algumas sentadas perto do portão que parecem de tarot, marselha, rider-waite, de thoth. Essas são mais sérias, parecem ter mais hierarquia, bebem silenciosas, fumam cigarros e trocam olhares misteriosos que lhe assustam um pouco. Mas todas as cartas, sem exceção, estão armadas com chicotes, porretes, cordas e carregam lampiões incandescentes. Do nada, todos se acendem, brilhando uma chama verde e o céu fica escuro. Quase como se fossem os lampiões que expulsassem o dia. Você decide se aproximar.

Primeiro cruza as cartas tradicionais, que bebem e cantam e nem te veem passar. Depois se aproxima das de tarot que lhe encaram. A Temperança se aproxima, fazendo gestos como que lhe enxotando, O Julgamento lhe grita coisas de longe numa língua que não consegue entender. No entanto, O Louco se ergue, para de fumar. Todas as outras tornam ao silêncio. O Louco vai até você, te olha nos olhos. Levanta o chicote, você continua parade. O Louco sorri, lhe dá um tapinha na bunda e diz: “Pode entrar, ela vai devorar e adorar você”. Você entra no castelo. Dentro do castelo mais cartas andam de um lado para o outro, mas vê também uma fila de seres muito estranhos que ocupa o hall de entrada. O teto é alto até não poder mais. Nas paredes tem enormes quadros de uma mulher baixinha com cabelos vermelhos e olhos raivosos. Você sobe os lances de escada, ignorando a ordem da fila, apenas segue curiose para saber aonde ela dá. Passa por coelhos de terno, mulheres com serpentes no pescoço, ratos de camisa polo, pássaros com perucas, homens com casacos de plumas, lagartas com jaquetas de couro e outras infinidades de criaturas. Sobe muitos lances de escada, a fila continua. Tartarugas com cascos de espelhos, cachorros de óculos e livros metidos no braço. Segue, chegando em um corredor gigante todo banhado em ouro. A fila continua até duas portas de marfim, enormes e abertas, a fila segue pra dentro. Fica mais estreito. Vê dois gêmeos parados, um em cada porta, têm a cabeça redonda e cachos azuis, se vestem como homenzinhos da renascença. “Meu genital está com ele”, diz um apontando para o outro. “Meu tesão está com ele” diz o segundo. E você não sabe se riem ou choram. Você tenta passar pela porta. Um deles (o do tesão) segura no seu ombro: “O que faz de você alguém que não respeita as filas?”. “Por que fazem fila?” você pergunta. O gêmeo do tesão responde: “Porque temem a rainha e querem se apaixonar por ela.” O do genital retruca, aborrecido: “Querem arrancar coisas dela, isso sim. Roubar! Querem roubar!”. O outro gêmeo – do tesão – o corta: “Não o escute, ele é só um genital”. “Eu digo a verdade! Ele que mente!” diz o outro (o do genital) e assim começam a bater boca e se xingar e tentar dar socos um no outro. Você passa de fininho pela porta.

Entra num enorme quarto, o chão é aveludado, longas colunas de mármore negro sustentam o teto. A fila chega ao pé de uma cama gigantesca com colchas vermelhas e a rainha senta na beira do colchão cercada de cartas armadas. Ela é muito baixinha comparada à cama, mas seus cabelos estão presos para o alto amarrados numa estrutura de arame, fazendo sua cabeça parecer maior do que é. Os peitos são gordos e estão nus. Nos mamilos, ao invés do bico, tem duas pérolas. Uma enorme barriga pálida. A buceta está também exposta com seus pentelhos vermelhos penteados e alinhados. Das mãos até os ombros é coberta de joias. Anéis, braceletes, correntes. Seu rosto é pintado fazendo parecer ter olhos gigantes e uma boca enorme, grossa e vermelha. Não tem sobrancelhas. Mas ainda sim parece o tempo todo irritada. Com uma das mãos coça os pentelhos, a outra dá ordens ou fica estendida à espera de um beijo. Os seres da fila chegam até a beira da cama. Ela lhes diz coisas como: “Chupe meus pés” ou “Se masturbe pra mim” ou “Meta a língua no meu cu” e os seres tentam desesperados atendê-la, mas ela sempre acha um problema. Diz que são muito feios, muito apressados, muito lentos, muito babões, muito frios, e por aí vai. Por fim, manda sua guarda decapitá-los. Você só observa a cena, elefantes passando tromba nas pernas e sendo levados pra fora violentamente por cartas tão menores do que eles. Sapos grudando as línguas uns nos outros diante dos olhos dela que toca sua buceta nervosa e depois os manda ao calabouço entediada. Você esquece que não devia estar ali, quase hipnotizade, você se aproxima. Quando lhe vê, ela dá um grito. Todos no cômodo lhe olham chocados. Alguns na fila começam a lhe xingar por ter furado a ordem, por ser estrangeire, dizem que querem você fora, que lhe odeiam profundamente. As cartas lhe apontam os chicotes e porretes. Um gato desce da cama da Rainha, risonho e caminha até você. “ O que você deseja?” pergunta o gato. Você não sabe o que responder, por medo diz: “A Rainha”. O gato gargalha e retruca: “Não se deseja alguém. A resposta está errada. Sempre deve-se desejar o desejo”. A Rainha balança os peitos, lisonjeada. “Venha até mim”, ela lhe diz. Você vai. Os súditos ainda lhe olham com ódio. Você chega aos pés da cama.

“Deixa eu olhar pra você. Tragam meu narguilé. E você — ela lhe aponta — tire as roupas.” Você tira, deixa todo seu corpo exposto na frente dela e de todos da sala. Ela aproxima os olhos enormes de você, fuma o narguilé e cospe fumaça na sua cara e no seu sexo. Você começa a ficar excitade olhando a fumaça sair da boca dela, os peitos dela chegando mais perto. Ela toca com uma das mãos no seu pescoço. “Você me quer?”, você faz que sim com a cabeça. Ela tira um isqueiro dos cabelos e com a chama aquece o bico de metal do narguilé. Depois o passa pra você. “Então fume”. Você tenta tragar, mas está muito quente e queima seu lábio. Ela ri de você. “Abra a boca”. Você abre. Ela toca o narguilé na sua língua. Arde muito e depois sente o gosto de baunilha. Você faz uma careta. Ela puxa seu rosto para perto. Você tenta beijar a boca dela. “Na boca não. Nas pérolas”. Você se aproxima dos enormes peitos e chupa as pérolas. São frias e aliviam a queimadura. Você as chupa com vontade. Ela continua fumando o narguilé. Não geme, nem diz nada. Você se empenha, suga, lambe. Ela ainda não geme. Você morde. Ela solta um gemido agudo e lhe dá um tapinha na cara. Você está mais excitade e úmide, suando. O tesão aflora em você como uma onda. Você pega a mão dela e começa a chupar seus anéis e passar a língua por seus braceletes e as correntes. Ela abre um sorriso e diz “ Suba na cama”, você sobe. Ao lado dela nos lençóis, você continua. Beija todas as jóias. “Agora meus pés.” Você começa a beijar os dedinhos gordos, o tornozelo, o peito do pé. O pé dela é aveludado, como se nunca tivesse tocado no chão. Percebe ela se masturbando, barulho das pulseiras sacudindo. Ela cospe mais fumaça em sua cara e o quarto parece começar a ficar coberto por uma neblina de fumaça. Você passa as mãos pelas curtas pernas dela, até tocar a bunda real que é enorme. Tem estrias que brilham como feixes de ouro. Você dá tapas na bunda da Rainha, que agora geme. “Eu já sei! Quero vendar-lhe”. Um coelho branco, lindo, com um terno roxo, pula até você e venda seus olhos com um tecido de seda macio. O tecido cobre suas pálpebras. “Vamos brincar de cabra cega. Você vai ter que me encontrar”. Ela chama seu nome — mesmo sem você nunca ter dito — e você caminha pela cama de quatro a procurando. A cama parece ainda maior, parece ter metros e metros sem fim. Você a procura. Sente uma bunda pequena e dura, morde uma das nádegas. Ouve um latido e os risinhos da Rainha: “Ainda não!”. Você segue a voz. Sente com as mãos dois peitos, cada um com um tamanho diferente, desce procurando a barriga e sente mais dois e então mais dois, como uma fileira de muitos peitos e no final um pau, duro e grosso. O sente com toda sua palma, sobe e desce sua mão, a cabeça pulsa. Você tenta abocanhá-lo. A Rainha grita: “Estou com ciúmes”. Você volta a procurá-la. Dessa vez sente costas largas e musculosas, começa a beijá-las, subindo até chegar na nuca. Assopra a nuca nua, toca nos cabelos. Vira e beija a boca fina deliciosa. É um beijo apaixonado, com língua e calma. Ouve gemidos longe. “Eu estou gemendo, mas não é com você. Venha depressa. Larga meu chapeleiro”, diz a Rainha. O chapeleiro sussurra em seu ouvido: “Fuja comigo”. Mas você não aguenta e torna a procurar a Rainha. Encontra uma enorme buceta, cheira e tem cheiro de licor de chocolate. Você passa os dedos, sente os lábios, o clitóris inchado. Masturba a buceta. Sente a mão com anéis agarrar sua cabeça. Continua dedilhando a xota que está pegajosa de tão molhada. Coloca a boca nela e sente a buceta rebolar na sua cara. Agarra as coxas e vai subindo a mão até a bunda. Toca o cu, sente as coxas enrijecerem. Sobe a mão mais e sente um rabo peludinho. Ouve gargalhadas da Rainha: “Pobre coelho! Há!”. Sente o cheiro da fumaça do narguilé e o segue, farejando os lençóis. Encontra outro par de peitos, toca os mamilos: são pérolas. “Te achei”, você diz. Desce a mão para a xana real, ouve a Rainha gemer perto do seu ouvido. Aperta sua xana com a palma da mão. Ela lhe dá um beliscão. Você mede os dedos, a xota é ainda mais babada e pegajosa. Seus dedos parecem mergulhar numa gosma deliciosa e a buceta parece sugar os seus dedos. Você mete os dedos mais rápido. Ela começa a gritar e te empurra na cama. Você cai pra trás no colchão macio, é como cair numa cama elástica, você parece pular. Sente a Rainha subir em você e grudar a xota na sua perna. Começa a se esfregar, com a mão puxa você pelo pescoço. A Rainha coloca dois anéis dentro da sua boca. Você os chupa, são gelados. Ela começa a lhe masturbar com as mãos pequenas e suadas. É tão gostoso, mas você não pode gemer com medo de engasgar com os anéis. Ela lhe masturba mais. Você sente plumas passando pela sua barriga. Você vai gozar. Cospe os anéis. Sente a bunda da rainha contra sua cara outra vez e a boca dela te alcança e começa a lhe chupar. Você vai ter um orgasmo. A boca dela é mole e sua língua é gigante. Você lembra das flores do jardim. Você está gozando beijando a raba dela. Não se aguenta, geme e arranca a venda.

Você está no escuro. O rosto do gato aparece em sua frente, ele sorri. Sua boca é como a lua. Você pergunta: “Estou delirando?”. O gato responde de cabeça pra baixo: “Todo desejo é delírio. Especialmente aqui e agora.” As luzes se acendem, você sente que está em um tribunal, mas é apenas o seu quarto.

* * *

Ilustradora:

Camila Albuquerque

Camila Albuquerque é artista, mulher, LGBT e nordestina. Ela trabalha com diferentes linguagens, especialmente com a Pintura a Óleo e o Grafite, onde aborda temáticas do sagrado feminino, Erotismo e do Folclore. seu trabalho dá um enfoque cada vez maior na Brasilidade, na experiência pessoal que se liga ao universal, através de suas pinturas sob um novo olhar do prazer.

👉  Conheça o trabalho da Camila no instagram.

Compartilhe sua opinião