SIMPLESMENTE ALICE


Um conto erótico com traição, maconha e coragem

Ela os ouvia tocando, como num filme. Enquanto suas mãos ensaboavam pilhas e pilhas de pratos, podia ouvir o piano, alguém cantando, risadas e piadas sobre música que ela não entendia. Os talheres escorregando de suas mãos metidas na pia, a alegria do cômodo ao lado invadindo seu silêncio. A única coisa que ela gostava em lavar louça era poder escutar seus pensamentos se afogando na espuma. Mas agora com o maldito jazz ela era incapaz de afoga-los e os pensamentos ficavam presos na cabeça. Irritando-se com as notas. Dando dores na sua coluna de tão pesados que ficavam lá dentro. Não que ela não gostasse da família da sua mulher. Mas tinha algo naquele gesto de alegria barulhenta que a irritava. Talvez por não saber tocar absolutamente nada e se sentir idiota nos assuntos sérios que tinham. Talvez porque sua mulher nunca usava o piano quando estava apenas ela e as crianças, como se apenas ela e as crianças não fosse motivo suficiente para ser barulhentamente feliz. Eram essas as ideias que a fazia quase quebrar os pratos, começar a inflar um mau humor e se tornar a pessoa que ela mais temia: a esposa neurótica cheia de dores de cabeça, incapaz de acompanhar a festa. Mas acabava sendo assim, tornava a sala já com as mãos nas têmporas, fazendo uma certa cena – confessava. Franzindo a testa e pedindo para que baixassem um pouco o volume de tudo, de suas vidas e instrumentos. Sua mulher revirava os olhos, debochada. Depois, a abraçava pedindo que fosse checar se as crianças tinham dormido e quem sabe tomar seu remédio e dormir também. Tinham se mudado para uma casa maior na Barra durante a pandemia e agora os parentes de sua esposa apreciam raramente, mas era suficiente para ela se sentir esgotada e ainda ser obrigada a ouvir sua mulher a mandar pra cama com seus remédios num tom de desdém.

Apesar de dizer que as dores adivinham de pensamentos pesando na cabeça, elas eram reais. Fisicamente reais. Na pandemia foi acometida por inúmeras, novas e violentas dores. Atacavam sua coluna, sua cabeça, seu estômago. Fazia testes e testes de covid, todos negativos. Fazia exames de sangue, ultrassonografia e raio-x, nada aparecia. Rezava e rezava todas as noites, mas sua fé – ainda que fervorosa – não a atendia. Então juntava receitas psiquiátricas com receitas de florais, com óleos essenciais caros e ainda sim, nada parecia mudar. As dores continuavam. Com as dores, sua libido não andava muito bem. Se já transava pouco com sua mulher depois de casadas, agora quase nunca transavam. No início, sua esposa se empenhava, tentava fazer longas massagens, comprava brinquedos, mas depois começou a se irritar. Até que estranhamente se apaziguou. O que soava como mais uma desistência e infestava sua mente de desconfiança e da sensação de que aquela súbita satisfação e compreensão deveria vir de algum tipo de pulo de cerca, meticulosamente orquestrado. Nos últimos meses, sua mulher alugou um escritório onde trabalhava sozinha “para facilitar o home office”. Ela imaginava o que isso poderia implicar. Mas não aguentava demandar mais atenção. Se habituou às tardes longas com as crianças correndo e pulando e demandando coisas. Desempregada, como muitos nesse período, só podia aceitar a benevolência de sua mulher em sustentá-la com tanto luxo na criação de seus filhos.

Era um final de semana, sua mulher estava de folga em casa e ela teve o desejo de fazer uma pequena caminhada para um parque vazio que tinha por perto do seu condomínio. Queria tentar ler um livro e aliviar a pressão que sentia nas vértebras. Sua mulher cedeu facilmente, não suportava mais ficar ouvindo sobre seus novos sintomas e mazelas, preferia mesmo que ela debandasse da casa para meter as crianças nos seus videogames e fazer suas próprias coisas. Saiu então, com sua mais nova roupa de jogging – que por mais ridículo que parecesse combinava com sua máscara – e o livro embaixo do braço. Atravessou o condomínio, com todas as suas grandes e luxuosas casas com grandes muros, feito fortalezas esnobes, até chegar no pequeno parque, meio abandonado com velhos brinquedos de criança, longas árvores e alguns canteiros, agora em sua versão mais rústica devido a falta da frequência das podas. Pelos bancos, algumas filipetas velhas, adesivos rasgados, bitucas de cigarro e possivelmente chicletes colados nas partes baixas. Sua neurose a fez limpar meticulosamente o banco escolhido, sprayzando álcool por toda sua superfície e derrubando as filipetas e bitucas de cigarro pelo chão. Não era como um sonho hollywoodiano de lugar para espairecer, como ela no fundo queria que fosse, mas era sua versão possível. Muitas vezes sentava-se por ali, entre os brinquedos e as plantas, sonhando com acontecimentos fantasiosos. Sonhos onde era descoberta no meio da praça para ser atriz de televisão, ou onde uma ex-namorada de sua infância aparecia entre as árvores com buquês floridos e um pedido de desculpas por não ter a assumido. Um pedido acompanhado de uma enorme dedicatória romântica sobre como queria eternizar o encontro delas para sempre, algo sobre como queria permanecer naquela festa aos 15 anos em que dançaram e se beijaram pela primeira vez. Sonhava tanto que quase nunca realmente lia o livro que levava para ler. Tinha vezes que até fantasiava que era mesmo a sua esposa quem vinha correndo atrás dela para lhe dizer coisas bonitas e pedir desculpas por ter se esquecido tantas vezes de lhe beijar a boca antes de dormir. Em seguida, passado sua dose de fantasias românticas, sentia vontade de chorar e se convencia que não havia coisa mais ridícula que uma mulher da sua idade, com a sua vida, ficar sentada num parque moribundo sonhando com fábulas amorosas tão tolas e juvenis.

“Você não precisa ter medo, eu posso ir embora se estou te atrapalhando com o livro”, a mulher disse rompendo o silêncio. “Não! Fica”, ela respondeu imediatamente. Ok, agora sim podemos dizer que foi o seu maior ato de coragem até agora. A mulher sorriu, maliciosamente. Ela começou a pensar que talvez tivesse feito uma insinuação horrível e queria contar logo que era casada, com uma mulher sim, mas casada e felizmente casada e que, por isso, era impedida de qualquer coisa com aquela mulher dos lábios tão bonitos, mas maconheira. E que se fosse trair não seria com uma mulher que fuma maconha e que não deve ter nada melhor pra fazer do que ir fumar na praça e por isso nunca jamais seria a pessoa com quem ela teria um caso, ainda que nunca fosse ter um caso, pois acreditava fielmente na monogamia – Porém nada disso, nem perto disso, saiu de sua boca. Ficou em silêncio e pro seu maior e estrondoso espanto, tirou a máscara e sorriu. A desconhecida, agora sentada alguns centímetros mais perto, lhe passou o baseado. Ela aceitou, apesar das vozes na sua cabeça estarem à beira de um ataque de nervos, ela aceitou e tomou um enorme trago, longo e profundo, enchendo os pulmões e obviamente culminando numa tosse de iniciantes. A desconhecida riu, pegou de volta o baseado e segurou gentilmente na sua mão, num gesto carinhoso, como alguém que diz que está tudo bem, que aquilo iria passar, que não precisava ter vergonha de tossir feito uma adolescente. Ao sentir o toque em sua mão, sua coluna – cheia de dores – tremeu. Sua pele se arrepiou inteira. Sentiu sua buceta pulsar. “Maldita maconha”, pensou. Agora seu corpo ia ficar todo desinibido, todo querendo aquela mulher estranha que – se olhasse bem – tinha peitos muito bonitos quase aparecendo pela roupa larga, onde podia ver o sutiã de bojo marcando, sutiã rosa choque, uma coisa que ela achava totalmente brega e sem nenhum charme, até mesmo muito vulgar, mas que agora não poderia dizer isso, afinal seus próprios mamilos estavam ficando duros e ela não sabia mais há quanto tempo estava fitando os peitos da mulher sentada do outro lado do banco de quem ela nem sabia o nome. “Eu devia te alertar, essa maconha é da boa” disse a mulher, que agora ela tinha certeza que tinha percebido sua estranha fixação por seus peitos, os encarando como um homem babaca. Que imagem devia ter dela? A imagem de uma mulher careta com roupa de jogging que recusa a maconha pra depois aceitar e que, quando chapada, fica olhando ela assim. No entanto, se interrompeu e abriu a boca e as palavras que saíram pareceram sair sem nenhum controle, como que faladas quase por outra pessoa, quase como uma intervenção divina que a fez falar com o tom mais calmo e sincero do mundo: “Eu sou casada. Mas eu quero desesperadamente ter um caso com você”.

“Você é uma figura hein?” respondeu a mulher da maconha. O quê a assustou, pois não sabia ler o que essa resposta significava. Mas o susto deve ter durado apenas alguns segundos, pois logo a mulher da maconha já estava colada nela, sentada assim pertinho, a boca quase na sua boca, os olhos enormes olhando no fundo dos seus olhos, os peitos quase tocando seu peito, num quase beijo em que proferiu suavemente, sedutoramente, em um tom baixo, quase gemido: “Mas você tem certeza? Porque eu vou aceitar”. E se beijaram, pois era insuportável não beijá-la. Mesmo ela tendo um cheiro de hidratante de baunilha que ela nem mesmo gostava e sua boca toda tinha um gosto de maconha, um gosto de verde, um gosto de coisas serenas e calmas. Seu corpo relaxou completamente no banco, agarrando forte aquela mulher que não conhecia. Apertando sua bunda, quase a engolindo, enquanto pensava no que diabos estava fazendo com outra mulher no meio da praça? Mas sua buceta não queria saber do que a sua cabeça parecia pensar, pois agora estava úmida e encharcada, como não ficava em anos. Molhando a calcinha, dando a sensação de molhar a legging. O cheiro iria ficar preso naquele banco da praça, como um testemunho de que sua xota estava enlouquecidamente encantada. Não conseguia parar o beijo, não conseguia se convencer de que havia outra coisa a ser feita que não ficar com aquela mulher ali mesmo. Quando percebeu, sua própria mão estava se enfiando embaixo da camisa larga e apertando aquele lindo peito no terrível sutiã rosa e quão delicioso era o peito dela na sua mão. Mas logo foi interrompida, a mulher ofegante se afastou, como que pegando ar, pronta pra tirar a camisa ali bem no meio do parque.

Aquela interrupção parecia a sua chance de voltar a ter bom senso e terminar logo com aquela sacanagem sem sentido. Ela pegou tudo que julgava ser sua coragem pra dizer: “Não, eu não posso. Isso foi errado, eu preciso ir pra minha casa. Eu não posso mesmo continuar com isso, e se alguém nos ver? Pelo amor de deus! No meio da praça? Eu sou conhecida aqui no condomínio e assim também é a minha mulher, alguém pode ver, reclamar, zombar de mim…” a estranha logo a interrompeu: “Escuta, escuta com carinho: ninguém liga pra você e pra sua esposa. Ninguém vai falar nada, ninguém passa aqui. Eu sei”. “Como ninguém liga?”, ela queria responder, “As pessoas ligam pra mim. Elas se importam. Eu tenho uma imagem a zelar, eu lutei por ela e não posso jogar ela fora por uma qualquer que conheci na praça. Eu nunca nem te vi em nenhuma reunião de condomínio, vai saber sua reputação e a minha mulher, ela se preocupa comigo, ela vai vir me procurar se eu demorar muito…”, mas nada disso – mais uma vez – saiu da sua boca. A mulher tirou a camisa larga, revelando os suculentos peitos apertados no sutiã rosa, a linda barriga e pele quase inteira tatuada. Aquela visão da mulher radiante sentada no pequeno banco do parque tirou sua voz. Ela ficou insegura. Quis, pela milionésima vez ir embora. Mas, agora, não queria ir pelo adultério e sim por vergonha de si mesma. Por se sentir uma mulher sem graça com roupas que combinavam com sua máscara, com ideias horríveis sobre música, apagada e insossa, definida apenas por seus filhos que nem eram tão bem educados assim, do contrário, eram até mimados e chatíssimos e tudo isso lhe doía muito agora. Muito mais do que as dores na coluna. Não sabia se podia ser a mulher que tem uma amante como aquela, a mulher que transa com uma outra mulher tão cheia de coragem no meio da praça. Ficou paralisada como uma criança no primeiro dia de aula: frágil e imóvel. Não sabia ser a mulher que pede desesperadamente por um caso, mesmo tendo o feito. Não podia continuar numa coisa em que não se reconhecia. Mas sua amante corajosa e misteriosa se aproximou delicadamente, deitando-a no banco. Ergueu sua blusa de ginástica, começando com delicados beijos por toda sua pele, peitos, barriga. Como se cada pedaço dela valesse um beijo terno e molhado. Foi descendo sua boca até puxar a calça legging nova. Despiu a calça com certa dificuldade. Quando olhou para sua buceta, coberta pela fina calcinha de renda branca, abriu um enorme sorriso. Malicioso e salivante. Como que diante de uma descoberta preciosa. Sua xota molhada pulsava mais e mais. Nunca a tinha sentido pulsar assim. Ritmada. Tinha o próprio ritmo, forte e vigoroso. A sua amante passou a língua no contorno de sua calcinha, podia sentir a respiração quente dela atravessando o tecido. Beijava todos os cantos do interior de sua coxa. Passa os dedos delicados da coxa até sua bunda. Beijou então a buceta por cima do tecido, que já estava molhado e agora misturava sua lubrificação na baba dela. A amante lhe beijava, sem pressa. Sem ansiedade. Deitada no banco, ela relaxava mais e mais. A boca abrindo e fechando, respirando cada vez mais fundo. Querendo a outra cada vez mais fundo. O livro caído no chão junto com as máscaras, as roupas, tudo. A amante então puxou a calcinha com a boca. Subiu sobre ela no banco, pegou sua mão e colocou por baixo da sua enorme e larga saia. A mulher misteriosa estava sem calcinha alguma. A buceta já lá exposta, como se já soubesse. Como se já tivesse ido para aquela praça sabendo. Ela enfiou os dedos na buceta da amante e tocou seu grelo inchado. Não sabia se o banco iria aguentar o peso das duas, mas não se importava. Encaixou uma buceta na outra e a mulher rebolava sobre ela. Agora, ela sentia como se tivesse a confiança de fazer o que quisesse. Lambia os peitos da amante, arrancava eles pra fora do sutiã e lambia até sua língua tocar sua axila. Não tinha nojo algum do seu suor, do gosto de baunilha. Mordia seu pescoço, apertava sua bunda por baixo da saia, que parecia cobrir as duas como um enorme véu. Cobrindo as bucetas grudadas, se arrastando uma na outra, se encaixando, quentes, muito quentes. Suando no banco. A mulher gemia alto, ignorando a praça, ignorando a decência. Como se fossem invisíveis, no melhor dos sentidos. Poderosamente invisíveis. A amante então se levantou, ajoelhando-se no chão diante dela. Ela sentou-se no banco, seus pequenos peitos também expostos, assim como a buceta. A amante segurou seus joelhos e abriu delicadamente suas pernas, enfiando o rosto entre as suas coxas nuas. A amante começou a chupá-la na praça, sugando seu grelo, depois beijando, depois chupando suavemente. Usando língua e dedos misturados, ora metendo enquanto lambia, ora apenas lambendo e pressionando o clitóris em círculos, em movimentos vibratórios. Ela chupava melhor do que todas as bocas que já tinham lhe chupado na adolescência, melhor que sua mulher, que todas as mulheres do mundo deveriam chupar. Trocaria todas as antigas fantasias por aquela boca entre suas pernas lhe chupando assim. Gemia e gemia alto. Segurava os cabelos da amante, que com sua boca com gosto de maconha, agora, abocanhava sua buceta. Chapada sentia ainda melhor a respiração, o toque da língua úmida, onde era mais macia, onde mais áspera. Onde tocavam dedos. As coxas tremendo. A amante parou. Em seguida subiu para os seus pequenos peitos, chupando forte para então meter seus dedos carinhosamente na sua xota. Metendo enquanto chupava os mamilos duros. Pela primeira vez, sentiu os peitos quase formigando, uma sensação nova que nunca sentiu antes. Os mamilos pareciam pulsar e formigar em ondas que iam crescendo e crescendo. Sua musculatura contraía e a amante não parava. Continuava incessante chupando e sugando seu mamilo, indo de um pro outro, arrastando o rosto nos dois peitos. Apertava um deles com uma mão, fazendo movimentos circulares e firmes com o polegar. Pressionava e pressionava e então voltava a sugá-los outra vez. Ia ficando toda molhada, suada, escorrendo pelo peito até a barriga e a onda parecia crescer e crescer colossalmente. Formigava outra vez e tinha espasmos e tudo ficava quente e quanto mais gostoso era, do contrário do que costumava viver com sua esposa, quanto mais gostoso era, mais presente ela ficava. E aquela sensação foi descendo dos seus peitos até o seu clitóris, culminando no orgasmo mais forte e completo que sentiu em sua vida. Um orgasmos que descia ali do próprio coração pra buceta. Um orgasmo livre.

Gargalhou, alto. Gargalhou numa crise incontrolável de riso. Mas a amante não cessou totalmente. Tornou a dar beijos leves em sua buceta e coxas, o que fazia mais cócegas e a fazia gargalhar mais e mais. E gargalhar era como gozar mais. Então o riso cessou. O corpo tornou a relaxar, quase mole em cima do banco. A mulher sentou ao seu lado, acariciando seu rosto, doce e gentil. Ela não conseguia parar de sorrir. Se sentia leve. Como se tivesse arrancado um peso gigantesco de cima dos seus ombros. Sorria e não pensava em mais nada. Sorria. Sem realizar que algumas horas tinham se passado e que sua esposa nem se deu conta. Que o mundo dela nem se dava conta da sua ausência, do seu gozo. Sorria. Simplesmente. Porque não importam as outras coisas. Importa é aquela onda doce. Depois da onda – eu desejo e acho que ela devia também desejar – as coisas não serão mais as mesmas. Depois da onda, vem a coragem. Pura, gozada e verdadeira.

* * *

Ilustradora:

Camila Albuquerque

Camila Albuquerque é artista, mulher, LGBT e nordestina. Ela trabalha com diferentes linguagens, especialmente com a Pintura a Óleo e o Grafite, onde aborda temáticas do sagrado feminino, Erotismo e do Folclore. seu trabalho dá um enfoque cada vez maior na Brasilidade, na experiência pessoal que se liga ao universal, através de suas pinturas sob um novo olhar do prazer.

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