MIDSOMMAR


“Ó abelha rainha, faz de mim instrumento do teu prazer.”

O verão chegou, no entanto o apartamento dos dois parece preso num inverno siberiano. Tinham a sensação de que as janelas viviam embaçadas. A geladeira vivia formando enormes blocos de gelo no seu interior que demoram pra derreter e alagam o chão da cozinha. Durante a noite, às vezes sentem calafrios e acordam com os lábios rachados e roxos. Não pareciam funcionar de acordo com o resto do mundo. Ela não tinha mais família, ele era tudo que lhe restava de amor. Mas a sensação do amor dele era como alguém que tenta andar arrastando uma bigorna. Ele nunca chorou tanto. Ela não sabia que um homem era capaz de chorar tanto. Ele sofria mais do que ela em tudo. Parecia um tipo de competição de moribundos. Quem era digno de mais dor, de mais pena, de mais medo. Ela acordava à noite aos berros. Ele tinha taquicardia pela tarde. No sexo pareciam quase se irritar por conseguirem sentir prazer. Houve uma época em que eram diferentes, mais amorosos e solares, com flores no olhar, afastando abelhas de perto da cama de tão doce mel que escorria dos dois. Agora, estão privados até das moscas. Nem mesmo os insetos mais imundos sobrevivem ao frio dos dois. Uma noite, à beira de congelar, agarram-se um no outro. Ela pensava em morrer logo cristalizada ao lado dele e ele estava quase aceitando tornar-se fóssil de um homem que um dia alguém amou, quando tocaram a campainha.

No meio da madrugada, o som da campainha ecoou pela casa, atravessou a neblina do quarto e tirou os dois das cobertas. Caminharam desconfiados até a porta, não esperavam por ninguém nunca, viviam isolados há dois anos. Mas seja quem fosse, continuava a tocar incessantemente. Os dois tiraram os casacos, para parecer menos loucos, vestiram as máscaras e olharam pelo olho mágico, um de cada vez. Depois se olharam incrédulos. Havia um casal, sorridente, radiante. Uma mulher com enormes e volumosos cabelos crespos e um vestido branco com bordados delicados em azul imitando pétalas e tão fino que podia espiar os peitos médios e pontudos, a barriga redonda. Ao lado da mulher, um homem também com cabelos enormes presos num coque, revelando o rosto brilhante, o sorriso branco e luminoso, a camisa aberta revelando o abdômen lindo com um brilho quase dourado. Os dois eram belos e cativantes, havia uma sedução estranha no ar. Do lado de dentro, a mulher incrédula observou enquanto o seu companheiro — quase que num transe — abriu a porta para o par de belos estranhos. Ela tentou impedi-lo, mas quando a fresta da porta abriu, um bafo quente ventou contra o seu rosto. Uma brisa tórrida e com um cheiro delicioso de mar invadiu a entrada do apartamento. O casal de estranhos se apresentou, disse que eram vizinhos deles há muito tempo, que moravam no apartamento de baixo. Que estavam isolados há quase dois anos e sabiam que os dois viviam isolados também, logo vieram lhes fazer um convite. “Fizemos um banquete, tem muito mais comida do que aguentamos comer. Éramos de uma família grande, não sabemos cozinhar pra dois. Queríamos dividir com vocês. Ter algum contato humano.” O seu parceiro aceitou imediatamente, sem consultá-la. O que ela não gostou, ainda se sentia receosa apesar do casal de vizinhos ser muito doce e sedutor. Franziu a testa, os dois começaram a falar sobre a comida, tentando convencê-la a ir. Imagens vívidas e suculentas de um enorme jantar passavam por sua cabeça. Iam desde o bobó de camarão da sua mãe, até as rabanadas de natal do seu tio avô. Salivou. Quando viu seu parceiro já estava dentro do elevador com eles, com o casaco preso na cintura. “Tem certeza?” ela o perguntou. “Se não quiser, eu posso ir sozinho. Eu preciso disso” respondeu. Ela se irritou com o tom da voz dele e aquela súbita independência, mas cedeu pegando as chaves e entrando no elevador.

Era literalmente no andar de baixo e só na soleira da porta já estavam suados de tanto calor. A casa era cheia de plantas, de todos os tamanhos: suculentas, samambaias, orquídeas, bromélias, lírios, costela de adão, espadas de São Jorge, palmeiras e várias que ela não sabia o nome. Respirar ali era como respirar numa floresta. A decoração era cheia de luzes brilhantes enfeitando as paredes, velas coloridas, desenhos e quadros enormes de mulheres e homens dançando, crianças mergulhando em cachoeiras, onças pintadas e sucuris. Pelo chão de madeira, alguns tapetes e muitos instrumentos diferentes largados ao acaso. Havia uma enorme mesa no centro da sala e a sala era muito maior do que a do apartamento deles. Na verdade tudo era muito maior e mais bonito e sobretudo mais quente. Os vizinhos notaram o suor exacerbado dos dois. “Não usamos ar condicionado”, disse a vizinha constrangida, “mas podemos lhes emprestar roupas mais frescas. Sem nenhum problema”. A vizinha pegou na mão da mulher, as palmas suadas e macias eram boas de segurar, e caminharam pra dentro de um enorme corredor, atravessaram rapidamente um quarto escuro, até entrar em um pequeno closet. Vários vestidos bordados pendurados nos cabides, um mais lindo e leve que o outro. “Pode escolher o que quiser”, disse a vizinha olhando a expressão maravilhada da mulher, mas ela continuava receosa e um tanto intimidada. A vizinha então foi até o fundo do armário e puxou um longo e translúcido vestido, com pequenas flores e abelhas bordadas. Estendeu o vestido, oferecendo a ela. Ela aceitou, era lindo, sua vista se perdia nos detalhes delicados. Seria uma desfeita vergonhosa negar um vestido tão bonito. Com o vestido nas mãos percebeu que a vizinha não foi embora, do contrário, se aproximou e se ofereceu para tirá-la das roupas suadas. Levantou seu cabelo, as mãos macias da vizinha tocaram suas costas, erguendo sua blusa. Depois desceram sua calça. Ela sentiu vergonha da calcinha velha, do sutiã largo e meio manchado. Mas, pra sua surpresa, a vizinha não parou por aí e tirou o seu sutiã. “Um vestido desses é pra se vestir nua. Ainda mais com um corpo tão lindo, tão redondo, tão farto.” Ela sentiu o sangue subir pro seu rosto, a vizinha tirou sua calcinha. Não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Estava nua ali diante de uma estranha. Nem transava mais com as luzes acesas e agora estava exposta ao olhar daquela doce mulher. Em algum lugar, mesmo que lhe fosse muito difícil admitir, ficou um pouco excitada. A vizinha logo colocou o vestido nela, ajudando a abotoar a fileira longa de pequenos e delicados botões que desciam da nuca até sua bunda. Se o toque da vizinha era bom, o toque do tecido era extraordinário. Os bordados faziam cócegas nos seus mamilos e era leve e fresco, ventando gostoso em sua buceta nua, arrepiando seus pentelhos cacheados. Ela abriu um enorme sorriso e a vizinha deu-lhe um beijo carinhoso na bochecha. Ela pensou que podia estar começando um tipo novo e sereno de amizade. Saíram de mãos dadas para a sala. Ela agora está mais risonha, sentindo-se realmente aliviada do calor. Ela nem se perguntou se não seria estranho voltar pra sala em vestes transparentes, revelando os peitos e a tão tímida buceta. Depois pensou que poderia ser algo corajoso e sedutor.

Ao chegar na sala, os dois homens estavam sentados na mesa, conversando baixinho e soltando risadinhas confidentes. Ficaram em silêncio diante das duas. O seu parceiro se ergueu surpreso. Ela lambeu os lábios, ficou pensando se aquela nova imagem das roupas emprestadas esvoaçantes o excitaria, se ficaria deslumbrando com ela e sua buceta outra vez. Mas pra sua frustração percebeu que ele não tirava os olhos da vizinha. Decepcionada e um tanto enciumada, soltou a mão da nova amiga, e sentou-se no outro extremo da mesa. O vizinho rapidamente levantou, ria muito — agora aquele riso solto dos dois começou a irritá-la — e trouxe para a mesa uma jarra com quatro copos. “É uma bebida que preparamos, não é bem uma ayahuasca, mas sintam-se livres para experimentar”, ele disse. O seu parceiro logo se agarrou a um dos copos, tentando mostrar seu espírito aventureiro — que ela nunca tinha visto antes —, enchendo o copo até a beira. Um segundo antes de dar um gole, parou e disse para ela: “Meu amor, eu quero provar. Mas eu sei como é isso pra você, não precisa fazer nada que não se sinta à vontade.” Aquela colocação a irritou mais. A vizinha pousou a mão no seu ombro e retrucou: “Eu acho que ela sabe que pode fazer o que quiser.” Ela teve medo, mas se serviu de meio copo. Brindaram. Os dois vizinhos diziam muitas vezes como estavam felizes com aquela nova amizade. Eles concordaram e beberam a bebida. Era vermelho e escuro, tinha um gosto fermentado, depois parecido com de terra e no final uma sensação semelhante à do jambu. A língua dentro da boca ficou dormente, a garganta formigando. Ela pensou que iria vomitar. Foi quando um cheiro forte de comida começou a vir da cozinha. Os vizinhos pediram ajuda para servir a mesa, eles foram ajudar. Traziam pratos e mais pratos, coloridos, quentes e frios, carnes, peixes, saladas, caldos. Tudo cheirava bem. Não sabiam por onde começar, nem se dariam conta de tanta variedade de comida. Mas ao sentar finalmente à mesa, sentiram os estômagos roncando. Não lembravam mais quando tinham feito a última refeição ou o que tinham comido. Era quase como se sentissem que não comiam há dias. As mãos começaram a se esticar em torno da mesa. Passavam o prato uns pros outros. “Prove isso”, “Prove aquilo”, “Você não vai acreditar como isso está bom”, hums e ais que aos pouco se tornaram apenas o barulho da mastigação. Comer era tão prazeroso, parecia que não iam parar nunca. Se lambuzavam, sujavam a toalha de mesa, as mangas, os dentes. Quando notaram as travessas estavam quase todas vazias e estavam suando outra vez. O seu parceiro lambia os beiços, a vizinha chupava os dedos, o vizinho olhava fixamente na direção dela — ela, a mulher do inverno. A sala pareceu ficar mais alaranjada, como se luz fosse avermelhando, ficando mais e mais quente. Ela limpou o suor da testa e do peito, mas continuava pingando. O vizinho a olhava. Seu parceiro puxava a cadeira pra mais perto da vizinha, conversavam próximos, joelhos se tocando. “Então é isso, vamos fazer um swing?” ela pensou. O vizinho se aproximou devagar. “Com saudades do seu apartamento?”, ele perguntou. “Ainda não”, ela respondeu. “Que bom. Eu acho que o calor lhe cai bem”, ele continuou. Ela sentia a confirmação de que algum acordo tinha sido feito, sem que ela soubesse. Mas ali, com o vizinho sentado perto, naquela luz laranja, achou o rosto dele tão familiar e tão sedutor. Seus lábios se moviam devagar enquanto falava e ela podia ver a língua roçando na boca. Ela não sabia mais há quanto tempo estavam conversando, quando ele abriu um pequeno embrulho. Um pedaço pequeno de bolo com pequenas frutinhas na massa. “Eu separei só pra você. Quer?”, disse o vizinho. Ela abriu a boca, ele colocou o pedaço de bolo entre os dentes dela. Assim, já bem perto, enquanto ela mastigava maravilhada o bolo adocicado, ele aproximou a boca da orelha dela e perguntou: “Você nunca pensou por que as abelhas pararam de aparecer?”. Ela não disse nada. “Posso colocar a mão na sua coxa?” Ela fez que sim com a cabeça. Ele tocou gentilmente sua coxa por cima do vestido. Do outro lado da sala, ela percebeu seu parceiro beijar o pescoço da vizinha. “Não se preocupe com eles”, disse o vizinho, “você pode sair se quiser.” “Não”, ela falou enquanto ergueu a enorme saia revelando as coxas e buceta. O vizinho continuou delicado, apertando o interior das suas pernas. Era gostoso. Ela começou a olhar no fundo dos olhos dele. Ele estava sempre sorrindo pra ela. Ela começou a ficar molhada. Ele passou os dedos pela buceta dela, acariciando os pelos, ela suspirou fundo. Ele recuou. Começou a beijar seus joelhos.

Do outro lado, a vizinha e o seu parceiro ficavam mais e mais íntimos. Depois do beijo no pescoço, ela ergueu levemente a saia e sentou na mão dele. A xota dela pulsava. Ele levantava seus cabelos, beijava sua nuca. Ela tocava no pau dele por cima da calça. Ele quase esquecia da sua parceira, sua mente parecia ficar embaralhada. Só pensava nos peitos lindos da vizinha, na bunda dela contra sua mão. Foi quando percebeu que a vizinha — pulsante e toda entregue — parecia olhar fixamente para os outros dois. Ele sussurrou em seu ouvido que ela não precisava se enciumar, que estava tudo bem. Ao que ela respondeu: “Ela é a mais bonita que eu já vi em toda minha vida” e ele percebeu que ela estava chorando. Mas não era triste, era como que deslumbrada. Os olhos brilhando. Ele se sentiu um pouco traído e broxou quase imediatamente. Olhou o vizinho que agora estava no chão diante da sua parceira, ela sentada na cadeira, o vestido levantado quase até os peitos e o rosto dela estava diferente. Ela sentava com as pernas bem abertas, com uma das mãos tocando a própria buceta enquanto o vizinho parecia murmurar algo e beijar os pés dela. Ele avançou na direção dos dois, empurrou o vizinho para o lado e beijou forte a boca dela. Bruto. O beijo dele parecia gelado. Ela o olhou sem entender o que estava acontecendo, não tinha visto ele chegar, achava que era esse jogo e ela estava até gostando. Ele colocou a mão na buceta dela — tinha algo de transtornado no seu toque — e então pediu que ela se levantasse da cadeira. “E se eu quiser ficar sentada?” ela retrucou, sua voz parecia diferente. “Isso foi um erro. Eu quero transar com você. Só você. Vamos pra casa. Agora.”, a voz dele era quase chorosa. Ela olhou em volta e os dois vizinhos se ajoelharam diante dos pés dela, murmurando algo, juntos. Ela estava cada vez mais molhada, o quarto parecia mais quente. “Vamos embora, eu não gosto daqui. Isso é perigoso. Uma má ideia.” disse o parceiro — agora irritado — e pegou forte no braço dela, a erguendo violentamente da cadeira. Os dois vizinhos levantaram, pela primeira vez, sérios.

“Você vai soltar o braço dela agora e sair. Os as coisas vão ficar muito feias pra você, entendeu? Você é inútil aqui e já passou da hora de você ir embora”. Tinha algo de terrível na voz dos dois. Mais quatro pessoas entraram no quarto. Todas muito parecidas com os vizinhos em tudo. Todas muito familiares para ela. O parceiro, ou melhor, o homem soltou o braço dela e saiu sem dizer mais nada. Ela pensou por um segundo em ir com ele, mas olhando ele saindo cabisbaixo teve vontade de gargalhar. O que ele percebeu e apertou o passo em direção a porta sem olhar mais pra trás. Os vizinhos e as quatro pessoas estranhas agora estavam em pé diante dela na cadeira. Ela sentia que deveria ter medo, mas não tinha. Em seguida, todos tiraram juntos as roupas, ficando totalmente nus. Só ela permanecia com o vestido erguido. Ajoelharam outra vez. A vizinha começou a cantar alguma música que ela não conhecia, mas por alguma razão estranha, lhe deu vontade de cantar. E cantou, sem saber como. Enquanto cantava sentia o apartamento todo vibrar. As plantas pareciam tremer, excitadas. “A gente esperou tanto tempo” disse o vizinho. “Silêncio”, ela respondeu, “vamos começar.”

“Primeiro as damas”, a vizinha veio arrastando os joelhos ao lado de duas outras mulheres. Os joelhos ficando vermelhos contra o chão de madeira. Permaneciam sempre olhando para ela de baixo pra cima. Chegaram até a beira da cadeira, onde ela continuava sentada. Uma das mulheres, mais velha, que tinha um peito de cada tamanho, os olhos verdes, pegou a sua mão e começou a lamber seus dedos. As outras duas mulheres a imitaram. Lambiam suas mãos. Depois subiram lambendo seus braços. Se apoiavam em seu colo. A mais velha, outra vez tomando a frente, ergueu mais o vestido e abocanhou um dos seus peitos. Chupava e chupava o peito esquerdo. Ela sentia os peitos inchando, depois formigavam, até começarem a esguichar um líquido vermelho. As outras duas mulheres — a vizinha e uma com curtos cabelos pretos — deixavam o líquido escorrer contra seus rostos, pingar nas tetas, se regozijando. E não parava de esguichar. A mulher mais velha continuava chupando, a vizinha finalmente chupou o outro peito e a de cabelos curtos beijava e passava a língua pela sua barriga. As plantas voltaram a tremer, os peitos pararam de esguichar. Ela tocou o rosto das mulheres, um a um, todas sujas do jorro dela. Quando as tocava, elas gritavam de prazer. Os homens continuavam ajoelhados, agora com os olhos fechados. Ela puxou a vizinha e colocou o rosto entre suas pernas. As outras duas começaram a se beijar, enlouquecidas. A vizinha, feliz em ser a primeira a beijar sua buceta, a sentir o seu gosto, chorava. Sugava, beijava, lambia. Ela na cadeira gemia, um gemido grave, desconhecido. A vizinha continuava e continuava. As duas mulheres agora se alternavam, uma beijava a bunda e chupava o cu da vizinha, a outra tocava a xota animada, se mordendo. Ela sentia suas pernas tremendo. E novamente as plantas tremendo. Nos quadros na parede, as onças pareciam abrir as bocas, mostrar as línguas e miar. Afastou delicadamente o rosto da vizinha, que estava todo molhado com a baba da sua buceta e beijou sua boca, metendo a língua até quase sua garganta. Os olhos da vizinha hipnotizados. Quando parou de beijá-la, a vizinha caiu no chão em êxtase, se contorcendo. As outras duas mulheres colocaram o rosto, uma em cada joelho. Queriam o beijo. Precisavam do beijo, ela sentia. Beijou uma a uma, que igual caíram no chão com espasmos. Então vieram os homens.

Os três vieram de quatro. A onça no quadro ficou muda. Beijaram seu pé. Em seguida ficaram de joelhos, mostrando os paus duros. Um caralho de cada tamanho e grossura diferentes. Dessa vez, ela chamou primeiro o mais novo. Sua barba era rala, tinha cara de uns vinte anos. Ele foi afobado na direção da xota, ela lhe parou. Ergueu a perna pro ar, revelando seu cu na cara do rapaz. Ele abriu um gigantesco sorriso. Um barulho feito um chocalho começou a soar. Ele chupou o cu dela, beijando, passando a língua no buraco. Até ela baixar as pernas, grudar as coxas na cintura dele. Ele começou a meter. Era firme e ritmado. Com uma das mãos, ele masturbava ela. E metia mais. Ela teve vontade de gargalhar outra vez. O rapaz se afastou e começou a meter em cada uma das mulheres que já não estavam mais se tremendo. Veio o vizinho.

Diante dele, ela se levantou. Todos pararam e olharam ainda mais agraciados pela imagem dela de pé. Ela brilhava. O vizinho deitou no chão e ela sentou por cima dele. Rebolava a bunda violentamente, ávida e poderosa. O vizinho só sabia gemer. Em volta deles todos começaram a babar. Ela puxou as duas mulheres – a mais velha e a vizinha – pros seus peitos enquanto sentava no pau dele. As duas voltaram a chupar. As plantas a tremer. A onça a miar. Então um zumbido começou a soar em seus ouvidos. Ela rebolou mais rápido e forte. O vizinho suava. O zumbido aumentava. As mulheres continuavam chupando sedentas, o peito voltou a esguichar, a buceta começou a esguichar. Uma nuvem de abelhas parou acima da cabeça dela. Todos gemiam. Ela sentia tudo mais e mais quente, as abelhas mais perto, a onça miando, ia gozar. Parou. Se levantou. Todos deitaram no chão. As abelhas no teto. Chamou o mais velho, de cabelos grisalhos. Virou o cu pra ele, mas ainda de pé, apoiada na cadeira. Ele metia devagar. Ela sentia as abelhas descendo, ficando mais próximas. Ele continuava, num pulso, lento. A buceta dela esguichando. Ela fechou os olhos. Ele meteu mais lento ainda. Ela começou a gemer. O zumbido aumentou. E mais lento ainda. Ela gritou. As abelhas grudaram na sua pele. Ela gritou mais. Ele meteu ainda mais lento. O gosto do mel na língua. As onças rosnam. As plantas se debatem. Agora tão lento, quase imóvel. A pele dela parece chamuscar. O orgasmo. O homem cai no chão de olhos cerrados, sorrindo. Ela se senta outra vez. Todos caídos. Ela abre a boca e cospe pétalas de flor, eles correm tentando pegá-las nas mãos. Soa um alarme de incêndio. O andar de cima está queimando. Rindo, ela se recorda e começa a cantar. Sente-se em casa. O dia nasce para nunca mais se por.

* * *

Ilustradora:

Carolina Morales

graduanda em pedagogia pela PUC-Rio, cenógrafa e caracterizadora do Grupo Fúria, coletivo teatral, trabalha com artes plásticas e é tatuadora iniciante – Carolina Morales é cientista.

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